O poder da liderança feminina
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 2004
Karla Matida<BR>Reportagem Local 
Com as comemorações do Dia Internacional da Mulher ainda frescas na memória, muita gente se lembra da variedade de matérias sobre mulheres conquistando espaços até então ocupados somente por homens. Sim, em pleno ano de 2004, qualquer mulher que assuma profissões diferentes das ''tradicionais'' ainda provoca surpresa.
O mesmo acontece quando se descobre que Londrina é a única cidade do Brasil a ter uma secretaria municipal da Mulher. ''O fato da cidade ter uma secretaria da mulher não acontece por acaso. O movimento das mulheres londrinenses é forte e organizado. Ele não só reivindica, como já tem maturidade para estar na fase de apontar políticas públicas'', garante a secretária Maria José Barboza. A secretaria está finalizando um estudo chamado de 'Mulher em Dados'. O levantamento vai auxiliar, por exemplo, a formatação de cursos específicos para elas.
Como os números do levantamento ainda não foram publicados, não há estatística que comprove a quantas anda o posicionamento da mulher na sociedade. Mas basta um passeio rápido pela cidade para descobrir que elas marcam presença firme na liderança comunitária. ''Por cuidar da casa e dos filhos, é a mulher que fica sabendo onde faltam as melhorias de saúde e educação'', justifica Rosalina Batista, uma das fundadoras da primeira associação de mulheres de Londrina, surgida no Jardim Franciscato (Zona Sul). ''Demos força à associação dos moradores e conseguimos asfalto e redução da mortalidade infantil''.
Proponente junto à prefeitura do projeto Festas Rurais, Joelma Carvalho consegue promover até 12 festas por ano na cidade. Tudo começou com a Festa da Mandioca, que acontece há nove anos na Usina Três Bocas (Zona Sul). De movimento em movimento comunitário, ela acaba de assumir a presidência do Conselho Estadual de Saúde, responsável por fiscalizar e avaliar as políticas públicas do Estado. ''Saúde está ligada a tudo, desde esporte, lazer e alimento'', explica Joelma.
Com menos gente para ''tomar conta'', Maria Santa Barizon Pieroti é referência para 30 famílias que vivem em sua redondeza. Começou reivindicando transporte escolar para as crianças da comunidade e hoje é presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural. As três histórias têm pontos em comum que vão muito além da força que essas mulheres tiram da terra.


