O PLANETA É UM CALDEIRÃO
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de abril de 2002
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Cientistas alertam: o crescimento assustador da concentração de gases na atmosfera global no último milênio, com a exploração desordenada do planeta pela ação do homem, está levando a um hiperaquecimento da superf¡cie terrestre. Grandes quantidades de dióxido de carbono, metano, óxidos nitrosos, enxofre é que provoca chuvas ácidas e outros elementos provocam alterações catastróficas no clima do planeta. Isso ameaça o balanço h¡drico da Terra, fazendo surgir desertos, prolongando secas, multiplicando furacîes. Ondas de calor atuais e despreendimento de grandes blocos de gelo das calotas polares seriam os primeiros sinais de alerta de que esse processo já está em curso.
O clima na Terra está caótico e é fácil perceber os sinais dessa transformação provocada, essencialmente, pela ação do homem. As previsões dos pesquisadores mundiais, ao contrário do que se deseja, não são nada animadoras, como aponta o relatório de 2001 do Panel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês).
O encontro anual de cientistas que estudam as mudanças climáticas, promovido pelas Nações Unidas e pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO), revela que a temperatura da superfície terrestre aumentou 0.8ºC de 1860, época da intensificação da atividade industrial, até os dias atuais.
O problema de aquecimento fica ainda mais evidente quando se constata que a metade desse aumento aconteceu nos últimos cinquenta anos. E, até o ano de 2100, a previsão é de que a temperatura deva se elevar entre 1.5ºC e 5ºC.
O IPCC ressalta ainda o crescimento assustador da concentração de gases na atmosfera global no último milênio (1000 a 2000), que retrata a exploração desordenada do planeta pelo homem. A quantidade de dióxido de carbono passou de 280 partes por milhão (ppm) para 360 ppm. A concentração de metano aumentou de 750 partes por bilhão (ppb) para 1750 ppb. Já a concentração de óxidos nitrosos (produzido pelo uso de fertilizantes com nitrogênio e queima de combustíveis fósseis, por exemplo) passou de 270 ppb para 310 ppb.
Os índices de enxofre, que causam as chuvas ácidas, não são menos preocupantes. As pesquisas do IPCC nas geleiras da Groelândia (Hemisfério Norte) identificaram que a concentração da substância quadruplicou entre 1600 e 2000.
Se essa perspectiva se acentuar, o panorama é bastante preocupante, adverte o pesquisador do Departamento de Agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Henrique Caramori. Ele avalia que o aumento desses gases na atmosfera poderão provocar alterações catastróficas no clima.
As mudanças climáticas podem alterar o balanço hídrico da Terra, facilitando o surgimento de desertos. As secas seriam mais prolongadas. Furacões passariam a atingir áreas consideradas seguras. As fronteiras agrícolas seriam deslocadas. Há suspeitas de que as ondas de calor atuais já sejam um sinal desse aquecimento, analisa o pesquisador. O despreendimento de grandes blocos de gelo das calotas polares também seria uma decorrência do desequilíbrio na concentração desses gases na atmosfera.
Saídas, argumenta Caramori, existem. Uma das medidas citadas pelo pesquisador é o sequestro de carbono. No processo de fotossíntese, as árvores retiram o carbono da atmosfera e o imobilizam na madeira. A seringueira, por exemplo, pode ser usada pois tem tempo de vida útil longo e é excelente matéria-prima para produção de móveis. Outro passo importante na opinião do pesquisador é a definição de um programa integrado de educação ambiental para recuperação da degradação provocada pelo homem. É preciso trabalhar o desenvolvimento do cidadão para a preservação e conservação do meio ambiente, conclui Caramori.


