O Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas (STMO), da Universidade Federal do Paraná em Curitiba, pioneiro na América Latina, chega aos 22 anos consolidando-se como referência pelo desenvolvimento científico, com resultados semelhantes aos obtidos nos principais centros do exterior.
O Hospital de Clínicas tem capacidade para realizar de 80 a 100 transplantes/ano, incluindo o de cordão umbilical, com coleta de material de aparentados e dos bancos de sangue de cordão, até mesmo de fora do país. O Banco de Sangue de Cordão Umbilical do HC com outros três do Brasil integram uma rede internacional. Cerca de 130 pessoas formam a equipe diretamente ligada ao setor de transplantes.
A estimatima do STMO é que, no Brasil, deveriam ser realizados aproximadamente 1.500 transplantes/ano para atender a demanda necessária. Mas, não mais de 40% desse número são realizados. O motivo: a inexistência de centros preparados para realizar o tratamento. No Brasil existem duas dezenas de centros realizando transplantes. Porém, só um terço realiza um número significativo desses procedimentos. No Paraná existem quatro centros, sendo que dois estão iniciando atividades.
O médico Ricardo Pasquini foi pioneiro no serviço na América Latina e este ano recebeu o Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia na Área de Ciências da Saúde. Foi a 15ª edição do prêmio criado pelo Governo do Estado. Pasquini tem diversos trabalhos publicados e prepara para este mês a divulgação de uma pesquisa inédita no país sobre hematologia, elaborada em conjunto com professores de Ribeirão Preto (SP).
O destaque no campo científico é marcado também pela realização em Curitiba do Congresso Brasileiro de Medula Óssea, que reúne anualmente centenas de profissionais de vários países. O STMO tem servido ainda de treinamento de profissionais de várias áreas e oriundos de várias regiões e países, como da Ucrânia, que celebrou convênio e já conta com dois médicos realizando transplantes em Kiev.
Pasquini afirma que o STMO ingressou numa fase de grandes descobertas e de aprofundamento de conhecimentos em nível genético e molecular, obrigando o médico a um conhecimento mais profundo, em compreender e interpretar melhor os fenômenos biológicos para melhor atender seus pacientes e propor, com base científica, novas propostas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.
''É importante reformular nossos currículos e prepararmos nossos professores para enfrentar essa rápida evolução da área biológica. Observe-se em outros países que, com a ampliação das atividades das outras profissões de saúde, de certa maneira substituindo o médico em determinadas ações, este deverá assumir uma posição cada vez maior de supervisão e decisão, exigindo um amplo e profundo conhecimento de todas as implicações da doença em um cenário biopsicossocial'', alerta.

mockup