Com os avanços da medicina e das políticas sociais, que ajudam a prolongar a expectativa de vida dos brasileiros, já é certo que um dos segmentos sociais que mais irá crescer nos próximos anos é o grupo dos idosos. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), as pessoas com mais de 70 anos somam hoje 8.532.000 em todo Brasil, 440.000 no Paraná e 130.000 em Curitiba.
  De acordo com legislação eleitoral, esse público não é obrigado a votar, mesmo assim costuma ter presença assídua nas urnas. Em 2006, os eleitores com mais de 70 anos somaram 77.093 votos em Curitiba, de um total de 1.216.125 eleitores. Do outro lado, os jovens de 16 e 17 anos, que também não são obrigados a votar, foram responsáveis por 11.409 votos.
  Apesar do voto dos idosos ser mais numeroso do que o dos jovens, são poucas as propostas de campanha específicas para esse público. Em contrapartida, quase todos os candidatos à prefeitura tem algum programa voltado a jovens e adolescentes e muitos deles escolhem formas específicas para dialogar com esse público, usando para isso músicas como o hip-hop e outras formas de expressão.
  Na opinião da professora de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luciana Veiga, essa tendência se deve ao fato de os jovens representarem o futuro.
  ‘‘O jovem, de alguma maneira é uma ameaça, existe uma preocupação de que se ele não der certo poderá trazer problemas para a sociedade’’, avalia. Segundo Luciana, mesmo que o número de eleitores idosos não seja tão significativo no total de votos, ele é extremamente interessante do ponto de vista eleitoral, pois as políticas direcionadas para eles repercutem em toda a família. Além disso, trata-se de um público em potencial, que deverá crescer ainda mais nos próximos anos.
  Do ponto de vista das estratégias de campanha, o público mais velho se mostra mais receptivo às propostas dos candidatos. ‘‘Dá muito mais trabalho convencer um jovem do que um idoso’’, considera Veiga.
  Pela experiência de vida, esse segmento poderia ser considerado formador de opinião, mas essa tendência não se confirma na prática. ‘‘O Brasil não tem essa cultura, como tem a japonesa, de valorizar a sabedoria do idoso’’, afirma.

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