Estelio Feldman
Em 1961, o Brasil enfrentou a crise da renúncia de Jânio Quadros. O País, uma vez mais – como já havia acontecido em 54 – se encontrava à beira da guerra civil. O Paraná, porém, no Governo Ney Braga, mantinha calma. Ney havia apoiado Jânio na campanha presidencial. Mas como na época as coisas eram diferentes, não havia voto vinculado, os candidatos faziam as mais estranhas composições. Assim, durante a campanha para o Governo do Estado, havia também muitos comitês de Ney, apoiando Lott, o candidado oficial à sucessão presidencial. Por outro lado, como se votava igualmente para vice-presidente de modo independente e como Jânio tinha dois candidatos a vice e Lott tinha um (João Goulart – chamado Jango –, que era também o vice-presidente de Juscelino), havia composições entre partidários de Ney Braga com chapas para a presidência e vice formadas por Jânio e Jango. Ney estava bem com todos. Quando Jânio renunciou, enquanto a política nacional fervia, o Paraná parecia tranquilo.
Para este clima, ajudava o fato de o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Jango, ter se lançado com firmeza em defesa da posse do vice na sucessão do presidente renunciante. O 3º Exército, com jurisdição nos tres Estados do Sul, se engaja na chamada ‘campanha da legalidade’, em apoio à posse de Jango. E isto faz com que o clima, na região, fique bem mais ameno do que no Rio, São Paulo ou Minas.
Assim, a posse de Jango e a mudança para o parlamentarismo não afetaram a situação política no Estado. Ney continuou a manter boas relações com o Governo Federal e a fazer a grande política de integração do Estado. Abre portas e caminhos, pacifica de tal modo que os candidatos que apóia para a eleição do Senado, um do norte, outro do sul, ganham com folgas. O candidato do norte é Amaury de Oliveira e Silva que acaba ministro do Trabalho do Governo João Goulart.
DivulgaçãoFORÇA E LUZExplosões abrem espaço para o lago de Itaipu: construção da maior hidrelétrica do mundo na região de Foz do Iguaçu alterou paisagem e economia paranaenses. Usina foi inaugurada em 1984O Paraná começa a viver uma fase de integração e progresso. São lançadas as bases para o grande salto energético, com o aproveitamento do potencial hídrico do Estado. Surgem barragens que mudam o panorama, criam dificuldades para alguns mas abrem, definitivamente, o Estado a uma nova era. Afinal, energia é base para o desenvolvimento. Ney Braga chega a dizer, em campanha eleitoral, que se fossem desligadas as centrais de energia criadas a partir de seu Governo, o Paraná ficaria às escuras, com isto indicando o trabalho realizado ao longo de seu mandato e o salto efetivo dado pelo Estado no período de sua administração.

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