O pai da Leste-Oeste
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Até hoje, quando passa pela Leste-Oeste (Avenida Dom Geraldo Fernandes), uma das principais vias de Londrina, o engenheiro Rudolpho Horner sente uma ponta de orgulho. No passado ele foi um dos idealizadores da sua construção, em substituição à linha férrea que cortava a área central. Além desta, outras obras que ajudaram a definir os rumos da cidade tiveram a participação do engenheiro, mas a discrição o impede de enaltecer o trabalho realizado durante os anos em que se dedicou à administração municipal. Cuidadoso com as palavras, ele recebeu a reportagem em uma tarde calorenta, na sala da casa construída de frente para um dos vários fundos de vale que ajudou a preservar na cidade.
Filho de um imigrante alemão que "entendia de fermentação", ele pisou a terra vermelha pela primeira vez aos 11 anos, quando a família, ao final da Segunda Guerra Mundial, resolveu transferir-se de Piracicaba (SP) para o Norte do Paraná. Aqui, seu pai foi contratado como responsável técnico de uma fábrica de aguardente. Em suas lembranças de garoto, Horner guarda imagens de uma realidade inimaginável aos dias de hoje. "A preocupação dos prefeitos na época era irrigar as ruas. Me lembro que passávamos onde hoje é o Calçadão e víamos homens retirando pedras de um barranco existente ali, na altura do atual Banco do Brasil, para produzir os primeiros paralelepípedos e dar início à pavimentação da cidade."
Mal sabia ele que anos depois, já formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná e contratado pela Prefeitura, seria encarregado de dar fim aos paralelepípedos e iniciar a impermeabilização asfáltica das ruas centrais. "Os paralelepípedos já estavam desgastados, mas a retirada seria um processo trabalhoso e caro, então optou-se por colocar a massa asfáltica por cima." O que também não foi simples, segundo o engenheiro.
Era preciso primeiro limpar as pedras e em seguida aplicar um asfalto especial, capaz de aderir à pavimentação original. Para completar, o prefeito da época, Dalton Fonseca Paranaguá (1969-1973), proibiu que os trabalhos fossem feitos durante o dia, para não incomodar a população e nem bloquear o trânsito. "Tudo tinha que ser feito de madrugada. Começávamos à meia-noite e parávamos às sete da manhã. Muitas vezes eu e minha mulher íamos lá, no meio da noite, acompanhar o serviço", relembra. O mesmo prefeito, de acordo com Horner, deu início ao desfavelamento do centro da cidade.
Antes disso, na legislatura de José Hosken de Novaes (1963-1969), o desafio de Horner foi outro: trabalhar nos projetos de instalação dos primeiros conjuntos habitacionais de Londrina, construídos pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), que precederam os grandes conglomerados erguidos na Zona Norte pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), da qual o engenheiro seria o primeiro diretor técnico. "Era uma época em que trabalhávamos mais por entusiasmo pessoal do que por dinheiro. No dia da chegada do homem à lua (20 de julho de 1969), por exemplo, eu não pude assistir às imagens transmitidas pela TV porque estava atendendo uma emergência nas oficinas da prefeitura", conta o engenheiro, que se aposentou da função pública em 1994.
Os fundos de vale preservados, que ajudam no escoamento pluvial, tornam mais agradável a temperatura urbana e encantam quem vem de fora, também têm a participação de Rudolpho Horner. Ele revela que no passado, para conseguir manter a vegetação nativa às margens dos rios que cortam a cidade, foi preciso brigar com as loteadoras. "Mas foi uma briga que valeu", constata, ao olhar para a área verde do outro lado da rua e respirar a brisa boa que vem de seu quintal.



