Um ponto de encontro entre vários caminhos, com intensa atividade comercial. Esta talvez seja a melhor forma de definir o Portão de ontem e de hoje. Sim, porque o bairro ainda mantém suas características essenciais, apesar de todas as transformações ocorridas ao longo dos anos.
No século 18, a região já servia de parada para os tropeiros vindos de Curitiba e dos Campos Gerais em direção ao Litoral. Aliás, foi a instalação de um posto de fiscalização na área que deu origem ao nome Portão. Mais tarde, trens e bondes também passariam pelo bairro, sempre marcado pela presença de armazéns. ''Se você observar bem o mapa, vai ver que o Centro de Curitiba está mais ao norte. Geograficamente, o Portão é a região mais central da cidade'', afirma o administrador da Regional Fazendinha/Portão, Fernando Guedes.
O bairro está no meio de outros seis: Água Verde, Vila Izabel, Santa Quitéria, Guaíra, Fazendinha e Lindóia. Ocupa uma área de 569,5 hectares e possui uma população de cerca de 41 mil habitantes. Mas serve de passagem, diariamente, para outras milhares de pessoas, que também desfrutam de sua vocação comercial.
''Sempre teve muita loja por aqui, e nos últimos 10 anos vieram os supermercados e bancos. Hoje temos mais de 12 agências nas redondezas'', diz o comerciante Álvaro Gulinoski. Ele é gerente das Lojas Santo Antônio, ponto tradicionalíssimo localizado próximo à Igreja do Portão.
Nascido e criado no bairro, Álvaro trabalha há 22 anos com o tio, Pedro Gulinoski, alfaite conhecido na região desde os anos 50. ''Nesse tempo todo, vi muitos comerciantes se instalarem e saírem daqui'', conta.
Recentemente, veteranos como os Gulinoski acompanharam com apreensão o surgimento de shoppings no Portão. Primeiro, o Total. Depois, o Palladium, nada menos do que o maior do Sul do País. ''A gente se preocupa, sim, pois o shopping faz as pessoas comprarem por impulso'', diz Álvaro.
Além de gerar empregos e esquentar a economia, os templos do consumo também são sinônimo de lazer. Principalmente em uma região onde o único centro cultural está morto há anos (as autoridades prometem revitalizar a área do Museu Metropolitano de Arte, o Muma, até 2009 - a conferir).
Por essas e outras, a grande movimentação de jovens da periferia de Curitiba - os chamados ''vileiros'' - dentro e fora do Palladium virou um problema de segurança. Ou seria de excesso de segurança?
''Acredito que eles formam um grupo do bem. Apenas causam um certo impacto inicial por causa do visual característico do hip-hop'', diz Guedes. O administrador sugere que a direção do Palladium promova algum tipo de interlocução com esse público. ''O shopping poderia desenvolver eventos culturais e esportivos para cativar e conquistar a simpatia dos jovens''.
Seja como for, o ''advento'' do Palladium inaugura uma nova etapa na trajetória do Portão. Mas se isso preocupa os comerciantes de rua, não chega a apavorar. ''Felizmente, temos clientes muito fiéis. Eles até vão ao shopping, mas sempre acabam voltando para cá'', garante Álvaro Gulinoski.
A assessoria de imprensa do Shopping Palladium avisa que em conjunto com o poder público, já está preparando algumas ações culturais direcionadas para os jovens.

mockup