Tratar do assunto morte não é tarefa fácil. Ainda mais quando esse tema é abordado através da ótica do dinheiro. Afinal, morrer implica despesas para aqueles que ficam, que terão que arcar com os custos de vários serviços e produtos, desde as velas e flores para o velório, passando pela mão-de-obra de tanatólogos - que prepararão o corpo -, até a manutenção anual da sepultura, no caso de um cemitério particular.
Quando teve que cuidar do enterro da sobrinha, há dois anos, Cláudia Santos conta que foi pega ''completamente despreparada'' pela situação. A experiência lhe trouxe uma má impressão da forma como algumas empresas lidam com essa situação. ''É um comércio como outro qualquer, eles não têm escrúpulos, não têm respeito nenhum'', revolta-se. Na ocasião, foram gastos R$ 1 mil com o funeral. A jovem foi enterrada no jazigo da família em um cemitério público do município, o que reduziu bastante os custos. Mesmo assim Cláudia acreditava que gastaria menos.
O negócio da morte movimenta cifras bilionárias todos os anos no Brasil. Segundo o Sindicato dos Cemitérios Particulares do Estado do Paraná (Sincepar), apenas esse setor movimenta R$ 7 bilhões anuais em todo o país. Apesar dos altos valores, o presidente do Sincepar, Robson Posnik, afirma que não existe disputa de preços entre as empresas, como ocorre em outros setores da economia. ''Têm cemitérios para todos os públicos'', garante. Os custos podem variar de acordo com a localização e da infra-estrutura oferecida, mas, segundo Robson, o serviço é quase o mesmo. ''Entre a classe A e a classe E não há muita diferença, tem uma média de serviços que todos dispõem.'' Ele conta que o sindicato nunca precisou intervir no preço das sepulturas, que em Curitiba e Região Metropolitana (RMC) podem variar de R$ 2,3 mil até R$ 16 mil.
Atualmente Curitiba e RMC contam com 36 cemitérios particulares. ''Estamos no limite, em Curitiba está proibido construir mais cemitérios'', diz Posnik. Apesar desse ser um grande negócio, ele diz que é preciso muito dinheiro para montar a estrutura inicial, e o retorno financeiro é muito lento. ''No mínimo um milhão (de reais) para começar'', calcula. Outro problema é o grande índice de inadimplência, que gira em torno de 40%. Além disso, o cemitério particular nem sempre é visto como uma empresa pelo mercado. ''Os bancos não oferecem nenhuma linha de crédito, tanto para os proprietários quanto para os clientes e tem fornecedor que nem sabe que existe cemitério particular'', lamenta Robson.
Para aqueles que não podem arcar com os custos de um jazigo particular, a prefeitura de Curitiba oferece os serviços funerários por um preço tabelado (leia nesta página) tanto do velório, quanto do enterro. Mesmo assim convém tomar alguns cuidados na hora de escolher os detalhes da cerimônia. A funcionária Pública Mabel Nunes conta que sofreu grande pressão da funerária escolhida pelo poder público na hora de enterrar seu pai. ''Você chega desesperada e eles vão colocando um monte de adereços que custam uma nota'', afirma. Ela recomenda que toda pessoa leve alguém de confiança, que não esteja tomada pela emoção da perda, à funerária para ajudar na escolha dos produtos. ''Só não gastei mais porque uma pessoa que estava do meu lado me ajudou'', relata. No caso de Mabel, que enterrou o pai em um cemitério público, o serviço funerário ficou em R$ 4,8 mil.
Apesar da grande variação nos preços dos produtos oferecidos pelas funerárias, teoricamente não deveria haver disputa entre elas, visto que existe uma tabela regulando este setor. Outro ponto é a impossibilidade de escolher uma funerária, pois é a própria prefeitura que elege, através de uma lista com 21 nomes, qual será a empresa que realizará o funeral.

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