O Natal das várias religiões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Simone Mattos 
Kraw Penas
A religião islâmica considera Jesus como um de seus grandes profetas, mas não comemora o Natal em dezembro, afirma Gamal Omairi
Arquivo folha
O médico Nageib Bark conta que o Natal não faz sentido para os budistas, que comemoram o nascimento do Buda original em 16 de fevereiro
Árvore decorada, luzinhas na janela, panetone e presépio podem parecer presenças obrigatórias no Natal, mas nem sempre são. Nem mesmo a data, a tradicional noite do dia 24, é comum a todas as religiões e culturas. Há aspectos peculiares, conotações próprias que dependem do contexto, explica o professor de cultura religiosa Luís Alberto Souza Alves. Para os poloneses e ucranianos, por exemplo, o símbolo do Natal são as pessankas, que simbolizam a vida que sai do ovo.
Para as crianças messiânicas, o dia de abrir presentes é 23 e não 24 ou 25. Nesta data comemoramos o nascimento do nosso mestre fundador, Mokiti Okada, que aconteceu em 1.882, no Japão, explica o ministro Waldemar Rodrigues Pereira, da igreja messiânica de Curitiba.
Nossa função não é mudar a cultura. Vemos Jesus como um grande mestre, fundador de uma importante linha religiosa, por isso respeitamos o Natal cristão, mas não fazemos nenhuma comemoração especial no dia 25, informa.
No dia 23, em compensação, são realizados cultos especiais, onde há oferendas de frutas, doces e verduras ao Deus criador, como símbolo de gratidão por mais um ano de existência. Durante os cultos, fazemos meditações e orações que traduzem a essência da cultura oriental, conta o ministro. A troca de presentes que ocorre nesta data simboliza a gratidão pela convivência dos amigos e familiares.
Se as crianças messiânicas abrem seus presentes no dia 23, as judaicas farão o mesmo neste dia 24. Esta é a data em que será comemorada a Festa das Luminárias, que sempre coincide com a época do Natal cristão, explicou o rabino Simón Moguilevsky.
A festa significa a vitória dos macabeus sobre os gregos, que, dois séculos antes de Cristo, queriam impôr sua cultura, política e religião no templo sagrado de Jerusalém.
Quando eles foram vencidos, os macabeus purificaram o templo acendendo um candelabro com óleo sagrado, que durou oito dias. Em nossa comemoração acendemos oito castiçais e lembramos a vitória de poucos sobre muitos ou dos mais desfavorecidos sobre os poderosos, afirma o rabino.
A grande comunidade judaica não celebra o Natal cristão, mas o respeita e chega a participar das comemorações da sociedade, mandando cartões ou presentes aos amigos e, eventualmente, comparecendo a festas ou jantares de final de ano.
Entendemos que Jesus foi um grande mestre, mas não há nenhuma forma divina nisto. Não cremos em santos e, para nós, todos os homens estão sujeitos a erros, explicou o rabino.


