A palestra de abertura do encontro, com o professor Cleverson Vitorio Andreoli, chamaou a atenção pela quantidade de informações valiosas e desconhecidas pela maioria dos participantes. Ele contou, por exemplo, que o desmatamento é responsável por menos de 10% de todo o carbono emitido na atmosfera. "É grave, mas é muito pequeno comparado com a queima de combustíveis fósseis. Temos de achar outra energia que não jogue carbono para a atmosfera", alerta.

Aumentar o imposto sobre combustíveis fósseis é uma das principais medidas que devem ser tomadas. "Com o dinheiro arrecadado, deve-se criar um fundo para atuar no problema", diz. Ele cobra a responsabilidade de todos. "Ou todo mundo toma consciência ou não tem solução. O problema só se resolve quando você muda seu comportamento. Quando sair daqui, em vez de você colocar gasolina no seu carro, coloca álcool", aconselha.

Ele mostra dados que assustam. "De 2000 a 2009, ou seja, depois do protocolo de Kyoto, foram acumuladas milhões de toneladas de carbono na atmosfera. Ainda estamos longe de chegar ao equilíbrio. Retirar o CO2 da atmosfera exige tecnologias caríssimas. O foco tem de ser a gestão dos combustíveis fósseis", afirma.

Andreoli diz que, muitas vezes, empresas e instituições desejam implantar práticas de sustentabilidade. Mas a legislação ambiental brasileira, tida como rigorosa, não deixa. Um exemplo é a utilização de esgoto na agricultura. "Ninguém pratica reuso porque a lei pede água tratada. A pessoa põe o esgoto no aterro, mas não na plantação", critica.

O professor ainda declara que a sustentabilidade deve ser tratada dos pontos de vista ético e pragmático. "O empresário deve ver alguma vantagem para implantar ações sustentáveis. Eles priorizam as que trazem aumento de lucratividade", conta. De acordo com Andreoli, esse é o primeiro passo para que as empresas se conscientizem da necessidade de novos investimentos em práticas sustentáveis.

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