Mariela de Castro Santos

DivulgaçãoOs Bartenders, como membros da velha guarda do rock, envergam em cena roupas parecidas com as que usam no dia-a-diaCom mais ou menos produção, as bandas adotam uma forma de vestir que pode servir para criar uma identidade com o público, para passar uma mensagem ou simplesmente chocar e fazer rir. Seja qual for a motivação que faz um músico optar por um terno anos 60 ou uma batina de padre, um pijama tip top ou um bermudão de skatista, o cuidado com o visual se faz presente com as bandas desde os primeiros shows.
Jr. Ferreira, vocalista dos Magnéticoss, diz que um visual bem trabalhado é fundamental: ‘‘os feios não atraem nem chamam a atenção. Se você entrar com uma roupa capenga, parece que não tem nada para mostrar ao público’’. Esta tendência nasceu junto com o rock, como afirma o baterista Rodrigo Cerqueira, da banda Skuba, uma das mais elegantes da cidade (veja matéria na página 6). ‘‘O rock sempre teve artistas com imagem bem trabalhada. Alguns se preocuparam mais com isso, outros menos, mas a única coisa que mudou foram os guarda-roupas: as jaquetas e calças de couro eram símbolo dos anos 70, enquanto nos 90 vieram os bermudões e as camisa xadrez dos grunges’’.
Já para o baterista dos Snorkels - grupo que com pouco mais de um ano conseguiu consagrar uma postura fashion totalmente amalucada -, acertar no figurino é mais importante nos dias de hoje do que nas décadas de 60 e 70. ‘‘Com o surgimento dos vídeo clipes e da MTV, as bandas cada vez mais têm que vender uma imagem junto com o som que fazem’’. Como a própria evolução musical de uma banda, o estilo de vestir pode sofrer algumas mudanças com o passar dos anos.
Arquivo FolhaCabelos compridos, calças estampadas ou de couro e um jeito de ‘não estou nem aí’ traduzem o gosto do Blindagem pelo rock’n’roll clássico
Os metaleiros do Kiss iniciaram a carreira tocando com os rostos cobertos por pinturas demoníacas. No final da década passada, deixaram o estojo de maquiagem de lado. Recentemente, motivados pelo saudosismo dos fãs, retomaram o antigo visual. Não faltam outros exemplos. Acompanhando o repertório do seu novo disco, os roqueiros do U2 embarcaram num visual totalmente fashion, com inspirações da onda techno. Os integrantes do Metallica rasparam as cabeleiras e trocaram as camisetas pretas com estampas tribais por modelitos tipo Mercado Mundo Mix.
‘‘O lado visual vai se aprimorando conforme a banda vai crescendo’’, opina Daniel Azulay, vocalista do Resist Control. ‘‘Quando você é mais conhecido e está bem colocado na mídia, tem uma força e legitimidade maior para inventar e até fazer loucuras. Se o Bono Vox fizer um show de cuecas, vai ter uma repercussão. Agora, se eu subir de cuecas num palco, a recepção será outra. O público vai pensar: quem ele acha que é?’’. Daniel, entretanto, não reprime as bandas novas que exageram na produção visual dos shows com indumentárias tresloucadas. ‘‘Depende muito do estilo da banda e da postura dos músicos. De qualquer maneira, o visual tem que ser diferente do que o normal. O público não vai num show só para escutar o som, quer ver a apresentação da banda como um todo’’.

mockup