O mundo fashion do Rock'n'Roll
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de maio de 1997
Fabiano Camargo 
Mariela de Castro Santos
DivulgaçãoOs Bartenders, como membros da velha guarda do rock, envergam em cena roupas parecidas com as que usam no dia-a-diaCom mais ou menos produção, as bandas adotam uma forma de vestir que pode servir para criar uma identidade com o público, para passar uma mensagem ou simplesmente chocar e fazer rir. Seja qual for a motivação que faz um músico optar por um terno anos 60 ou uma batina de padre, um pijama tip top ou um bermudão de skatista, o cuidado com o visual se faz presente com as bandas desde os primeiros shows.
Jr. Ferreira, vocalista dos Magnéticoss, diz que um visual bem trabalhado é fundamental: os feios não atraem nem chamam a atenção. Se você entrar com uma roupa capenga, parece que não tem nada para mostrar ao público. Esta tendência nasceu junto com o rock, como afirma o baterista Rodrigo Cerqueira, da banda Skuba, uma das mais elegantes da cidade (veja matéria na página 6). O rock sempre teve artistas com imagem bem trabalhada. Alguns se preocuparam mais com isso, outros menos, mas a única coisa que mudou foram os guarda-roupas: as jaquetas e calças de couro eram símbolo dos anos 70, enquanto nos 90 vieram os bermudões e as camisa xadrez dos grunges.
Já para o baterista dos Snorkels - grupo que com pouco mais de um ano conseguiu consagrar uma postura fashion totalmente amalucada -, acertar no figurino é mais importante nos dias de hoje do que nas décadas de 60 e 70. Com o surgimento dos vídeo clipes e da MTV, as bandas cada vez mais têm que vender uma imagem junto com o som que fazem. Como a própria evolução musical de uma banda, o estilo de vestir pode sofrer algumas mudanças com o passar dos anos.
Arquivo FolhaCabelos compridos, calças estampadas ou de couro e um jeito de não estou nem aí traduzem o gosto do Blindagem pelo rocknroll clássico
Os metaleiros do Kiss iniciaram a carreira tocando com os rostos cobertos por pinturas demoníacas. No final da década passada, deixaram o estojo de maquiagem de lado. Recentemente, motivados pelo saudosismo dos fãs, retomaram o antigo visual. Não faltam outros exemplos. Acompanhando o repertório do seu novo disco, os roqueiros do U2 embarcaram num visual totalmente fashion, com inspirações da onda techno. Os integrantes do Metallica rasparam as cabeleiras e trocaram as camisetas pretas com estampas tribais por modelitos tipo Mercado Mundo Mix.
O lado visual vai se aprimorando conforme a banda vai crescendo, opina Daniel Azulay, vocalista do Resist Control. Quando você é mais conhecido e está bem colocado na mídia, tem uma força e legitimidade maior para inventar e até fazer loucuras. Se o Bono Vox fizer um show de cuecas, vai ter uma repercussão. Agora, se eu subir de cuecas num palco, a recepção será outra. O público vai pensar: quem ele acha que é?. Daniel, entretanto, não reprime as bandas novas que exageram na produção visual dos shows com indumentárias tresloucadas. Depende muito do estilo da banda e da postura dos músicos. De qualquer maneira, o visual tem que ser diferente do que o normal. O público não vai num show só para escutar o som, quer ver a apresentação da banda como um todo.


