Arquivo FolhaCom o surgimento dos complexos de cinemas, como o do Shopping Crystal, a qualidade das salas deve aumentar, opina o jornalista Marden Machado

De um lado, poltronas que exigem postura digna de um contorcionista, imagem fora de foco e som empastelado. Do outro, rampas inclinadas que aboliram os degraus (responsáveis por muito derramamento de coca-cola e pipocas em outros cinemas), luzes especiais no chão para indicar o caminho, projetores e equipamentos de áudio modernos. O primeiro caso é o do cine Groff, que foi eleito o pior cinema da cidade pelo júri montado pela Viva. O segundo é das salas do Crystal Plaza, as vencedoras na opinião dos críticos especializados.
Inauguradas junto com o shopping Crystal, as cinco salas de exibição estão entre as recordistas de público da cidade. Têm, como diferenciais, projetores de última geração e uma arquitetura que inclui cuidados como toda as instalações, como as rampas abolindo os degraus e uma iluminação no chão que facilita o caminho até as poltronas. Uma das salas, a número 1, conta ainda com o moderno sistema de som DTS, que proporciona maior fidelidade de reprodução.
Além destes atrativos técnicos, possui outras vantagens como o estacionamento gratuito e a maior oferta de opções - são exibidos geralmente cinco filmes diferentes, com início em horários diversos. ‘‘Todas estas facilidades fazem parte de um novo conceito de cinema como diversão’’, diz o gerente dos cinemas, Marcelo J. R. Souza.
Escolhido o pior cinema da cidade, o Groff recebeu críticas tanto quanto ao conforto como quanto às qualidades técnicas. ‘‘Esta sala tem problemas sérios que vão das poltronas - é preciso se esticar todo para enxergar bem - até o teto’’, comenta o diretor teatral e cinéfilo Chico Nogueira. ‘‘Quando chove muito, o cinema vira uma grande cascata. E o pior é que devido ao projeto do prédio, uma reforma fica praticamente inviável: seria necessário mexer em tudo’’.
Arquivo Folha‘‘O ingresso aqui custa mais caro do que é cobrado na Europa e mesmo assim temos que aguentar projeções horríveis’’, diz o diretor Edson Bueno
Para outro cinéfilo de carteirinha, o também diretor Edson Bueno, os cinemas sob responsabilidade da Fundação Cultural estão, de um modo geral, abandonados. ‘‘Se as pessoas podem ir num shopping, com todo o conforto, por que iriam em cinemas onde não se enxerga nada e as acomodações são horríveis?’’, indaga. ‘‘Isto é mais grave quando se encara o fato de que os cinemas da Fundação tem a proposta de mostrar filmes de arte. São produções que não estão no circuito comercial e por isso mesmo deveriam ter tratamento melhor para atrair mais público’’.
Contrastando com o quadro apresentado pelo Groff, Ritz, Luz e Guarani, a nova Cinemateca da cidade, também mantida pela Fundação Cultural, reabre suas portas em junho, num novo endereço (R. Carlos Cavalcanti, esquina com João Manoel), em grande estilo. Terá uma sala especial de exibição com capacidade para 90 pessoas e os equipamentos de projeção mais modernos da cidade, além de espaços para acervo de mais de mil filmes, cursos e reuniões. Cafeteria, local para exposições de cartazes e fotos, além de uma loja de artigos ligados ao mesmo tema, também estarão completando o ambiente, com o objetivo de transformar o prédio num endereço cultural completo.

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