Pertinho de Santa Felicidade, pólo de festas e recepção de casamentos, a Paróquia Santo Antônio de Orleans, na Rodovia do Café, tornou-se muito procurada pelas noivas. Não pela fama de casamenteiro de Santo Antônio. Por questões práticas mesmo. "Elas procuram a paróquia pela localização, porque temos amplo estacionamento e uma estrutura muito boa de salões e centro de convenções para as festas. Se não querem fazer a recepção aqui, vão para os restaurantes de Santa Felicidade", informa o padre Gilson Cézar de Camargo.
Na igreja que foi fundada pelos imigrantes poloneses da antiga Colônia Nova Orleans, em 1908 - a atual construção é de 1936 -, a maioria dos casórios celebrados são dos católicos tradicionais da região. No ano passado, houve 80 casamentos na paróquia. "Acredito que teve uma redução porque foi ano bissexto, e as noivas são supersticiosas", disse o religioso, dizendo que acha o casamento o mais bonito dos sete sacramentos da Igreja.
"O modo de celebrar e o ritual do casamento é o mais bonito. É um momento de intimidade entre duas pessoas, como se naquele momento só existisse o casal no mundo. Por isso, que as normas foram importantes, vieram ressaltar a celebração do sacramento", pontuou. "Por vezes, o ritual acabava sendo adulterado ou manipulado, ofuscando o que realmente importa: o cristão se unir a uma cristã em uma só carne para criar uma família. O restante são coisas secundárias", resume padre Gilson.
O ritual é dividido, basicamente, em três fases que poderiam ser feitas "em até cinco minutos". "O padre pergunta se os noivos estão ali de livre e espontânea vontade. Depois, se prometem amor e fidelidade um ao outro, e se estão prontos para receber os filhos, fruto do amor do matrimônio. Isso define o propósito do casamento", explica ele, contando que a cerimônia de casamento foi criada pela Igreja a partir do século III ou IV.
No segundo momento, o noivo diz o nome dele e se dirige a noiva. "Te recebo como esposa, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias das nossas vidas. E a noiva faz o mesmo. Antigamente se falava até que a morte nos separe, mas a Igreja mudou isso, para evitar o aspecto negativo da palavra morte", informa o padre. O último momento do casamento é a entrega das alianças, que simboliza a união concreta do casal.

Neuróticas

O padre Gilson diz que a Paróquia Santo Antônio não enfrenta problemas com o cumprimento das normas estipuladas pela Arquidiocese de Curitiba. "Ainda bem que as noivas não atrasam mais. Fazer todo mundo esperar por um capricho é uma grosseria", disse ele, que acha importante alertar as noivas para a neurose que mergulham antes do casamento.
"A preocupação e a expectativa são tão grandes que na hora do casamentos elas estão esgotadas. Muitas brigam com os noivos porque acham que eles não dão a devida importância para certos detalhes da cerimônia que precisa ser a mais bonita de todas. Ora, isso é próprio do universo feminino. A mulher é a protagonista do casamento", opina o padre.
De fato, quem se preocupa com a data do casamento e toma todas as providências necessárias, do convite ao buffet, são as noivas. "Às vezes vira um problema sério. E quando a mãe da noiva participa da organização então, é um Deus nos acuda. Já vi brigas feias, entre mãe e filha. Entendo a importância desse momento, é um ritual de passagem. Mas as noivas precisam se libertar dessa neurose", aconselha padre Gilson. (F.G.)
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