O maior problema é cultural
O Paraná tem o maior número de empresas desenvolvedoras de jogos no Brasil. Os dados são da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames) que indicam 33% da produção nacional ao Estado, com São Paulo em segundo lugar, com 30%, e Rio de Janeiro em terceiro, com 12%. Curitiba ainda é o maior pólo na região, ainda que a cidade tenha apresentado um queda no setor. Para a gerente da Incubadora Tecnológica de Curitiba (INTEC), Rosi Mouro, a perda de profissionais no setor nos últimos anos está ligada à falta de investimento do governo e ausência de cultura de consumo do produto brasileiro.
''O setor caiu muito nos últimos quatro anos. O mercado não ajuda, o adolescente não quer saber de produto nacional. O problema é cultural. A idéia que prevalece é a de ter um videogame importado'', afirma Rosi. Segundo ela, o fracasso do jogo online Erinia, lançado pela Ignis, uma das empresas que deixaram e existir por aqui, está ligado ao fato de que os usuários não aceitam o software nacional, por melhor que seja o produto.
''Tem bastante mercado, principalmente para os jogos de lan houses com jogos massivos online. Mas as empresas daqui viraram mão-de-obra barata, porque, para serem aceitos, os jogos produzidos aqui precisavam ser vendidos para o exterior para voltar como importados'', explica.
De acordo com Rosi, a falta de investimento do governo também contribuiu para o desaparecimento de empresas como a Ignis, a Continuum e a BitCrafters, que nasceram através da Intec e colocaram Curitiba no cenário nacional do mercado de jogos. ''O interesse é grande e a gente começou a apresentar projetos em editais mas eles não foram aprovados'', lamenta.
Hoje, a Intec não tem mais nenhuma empresa para desenvolvimento de jogos. Mas a Unicenp, em Curitiba, e a Metropolitana, em Londrina, oferecem cursos destinados para o setor. No Paraná são listadas 15 empresas no ramo, a maioria em Curitiba e no Norte do Estado. Segundo a Abragames, 27 instituições de ensino oferecem preparação para esse mercado em todo o Brasil e atualmente existem 25 estúdios nacionais. (C.Y.)





