O longo caminho até a frigideira
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sábado, 31 de maio de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Em toda geladeira, eles têm um lugarzinho especial. É difícil encontrar uma dona de casa que não inclua os ovos na lista de compras. Afinal, um bom e velho ovo estrelado vai bem no prato de arroz e feijão do brasileiro. Além disso, em muitas receitas, como nas de pães e bolos, ele é ingrediente indispensável. Para se ter uma idéia do consumo, segundo a União Brasileira de Avicultura (UBA), em março de 2007 cerca de 2 bilhões de ovos foram produzidos no Brasil.
No entanto, antes de chegar às frigideiras, os ovos que saem das granjas passam por um detalhado processo produtivo, que começa na seleção genética das galinhas. Os países que são referência na linhagem de aves poedeiras são EUA, Alemanha e Holanda. As granjas brasileiras importam genética desses países. O pintinho de um dia, que vai se transformar em uma galinha, custa R$ 1,40.
A produção de ovos se concentra nas regiões Sudeste e Sul do País. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), São Paulo é o líder do ranking, produzindo 33% do volume nacional. Minas Gerais fica com o segundo lugar, com 13% da produção, e Paraná é o terceiro colocado, com 9,4%.
Em Londrina, a granja RS Okasawara produz 198 mil ovos por dia. O plantel é de 300 mil aves. Em meio aos galpões, é possível entender melhor como funciona todo o processo de produção dos ovos que chegam às mesas.
O veterinário responsável pela granja, Américo Sazaka, explica que as galinhas poedeiras das granjas têm diferenças em relação àquelas que são criadas soltas, popularmente chamadas de caipiras. Segundo ele, as caipiras botam na primavera, quando há mais luz solar incidindo sobre a terra.
A luz entra pelos olhos da galinha, estimula o cérebro e ocorre a liberação de um hormônio que faz o animal pôr ovos. Nas granjas, o aumento de luz é artificial, fazendo a galinha botar o ano todo. Uma ave produz um ovo a cada 25 horas aproxima-damente, comenta.
Também há diferenças das poedeiras para o frango de engorda. Uma delas é a ração. O alimento das poedeiras leva bastante cálcio na composição, que vai ajudar a formar a casca dos ovos. Durante o tempo de vida, uma galinha de granja recebe 18 vacinas.
Máquinas no comando
Na granja visitada pela FOLHA, 30% da produção é mecanizada. Nesse sistema, ninguém coloca as mãos nos ovos. A meta é mecanizar toda a granja, diminuindo os custos e aumentando a qualidade. Quando há manuseio, o produto pode trincar ou ovos, relata Sazaka.
As aves poem por dois anos. Quanto mais experiente a galinha, mais pesado o ovo que ela produz. São seis classificações, do jumbo, que é o maior e recebe a numeração zero, ao industrial que é o menor de todos e recebe a numeração cinco.
Segundo o veterinário, o preço médio de custo de um ovo que acaba de sair da galinha é de R$ 0,10. Daí para frente, o produto passa por lavagem, classificação, separação, embalagem, distribuição e transporte. Cada etapa dessas aumenta o valor do produto. Os mercados são de atacado e varejo.
Cerca de 40% da produção da granja londrinense vai para São Paulo e Rio de Janeiro. Nos mercados de Londrina, a dúzia do ovo chega a custar R$ 3,00, ou seja, R$ 0,25 a unidade.
Para finalizar, Sazaka lembra que os ovos também chegaram à geração saúde. Segundo ele, a granja londrinense foi a primeira do Brasil a produzir ovos com Ômega 3, uma substância que ajuda a diminuir o colesterol ruim. À ração das aves, adicionamos um produto que vem do Japão para produzirmos os ovos com Ômega 3, explica. Aos mercados, os ovos mais saudáveis chegam por
R$ 3,70 a dúzia - com variações de uma rede para outra.


