Arte marcial milenar japonesa, o kendô sobrevive e mostra a beleza dos movimentos praticados pelos samurais. Se hoje são utilizados grandes bastões de bambu para a prática do esporte, originalmente eram espadas de aço. A luta é uma mistura de golpes, alguns artísticos, aliados às vestimentas ornamentadas. "Na época dos samurais a arte era utilizada para defender as famílias. Hoje, é para a saúde mental e espiritual, pois, além da parte física, trabalhamos a reverência ao Deus que cada um possui", conta o professor Eduardo Koguishi, um dos disseminadores da arte, cujo grupo é formado por voluntários.
Como todo e qualquer costume antigo, sua manutenção depende da persistência e colaboração. Por isso, Koguishi orgulha-se de ser um dos poucos responsáveis pela manutenção de um dos pilares da cultura japonesa, iniciado em Londrina na década de 1960 pelo mestre Harada, que faleceu em 1998. "Ele repassou os conhecimentos e, atualmente, os que possuem mais tempo de treino continuam com a tarefa", diz ele, que é um dos mais experientes, com 20 anos de treino. Apesar disso, existem poucos praticantes na cidade, em torno de 20 pessoas - alguns não possuem descendência oriental.
Mesmo sendo uma luta, o professor afirma que a arte marcial não tem como objetivo primário a competição, mas a divulgação de uma filosofia de vida que auxilia na formatação do caráter da pessoa. "Entre os principais itens repassados estão o respeito, a disciplina, a concentração, a superação e a honestidade. Isso é trabalhado no aquecimento, no treino, nos quais os movimentos são repetidos à exaustão, e no combate propriamente dito. Tudo isso antecedido por um ritual de meditação e reverência ao Deus de cada um", resume. (M.T.)

Imagem ilustrativa da imagem O Japão
| Foto: Marcos Zanutto
O kendô, arte marcial milenar japonesa, sobrevive e mostra a beleza dos movimentos praticados pelos samurais
mockup