Para sobreviver no planeta Terra, todas as pessoas geram impactos sobre o meio ambiente. Do simples ato de beber água até se locomover de casa para o trabalho, tudo que fazemos passa pela extração de recursos naturais, geração de resíduos e outros tipos de alterações ambientais. Estes impactos, porém, não são uniformes e, dependendo do modo de vida e perfil de consumo, podem variar para mais ou para menos. O conceito de Pegada Ecológica (no inglês, ecologicalfootprint) foi criado exatamente para quantificar o impacto de cada pessoa sobre o Meio Ambiente e, a partir dos resultados, gerar mudanças de comportamento com vistas à criação de uma sociedade mais sustentável.
De forma geral, a Pegada Ecológica avalia quantos hectares globais de terra são necessários para sustentar o modo de vida de cada pessoa - a partir de quesitos como consumo, alimentação, transporte, energia e moradia (leia quadro nesta página). De acordo com a população atual, o planeta dispõe de 1,7 hectare global por habitante. Por meio de um teste rápido disponível no site da ONG Global Footprint Network, qualquer pessoa pode calcular sua própria Pegada. Se a sua ficar abaixo de 1,7 hectare, você pode se considerar uma pessoa com hábitos ambientalmente corretos. Porém, se ultrapassar esse valor, significa que seu impacto sobre o meio ambiente está além dos limites do planeta. Neste caso, é chegada a hora de rever alguns de seus hábitos e comportamentos.
É o caso do gerente de Marketing e Programas Sociais, Wesley Diniz Alves, que se submeteu ao teste a pedido da FOLHA. Trabalhando numa cooperativa de crédito, ele viaja frequentemente a trabalho e conta que, na vida pessoal, acaba relaxando um pouco com os cuidados ambientais - especialmente no uso da água e na separação do lixo. Seu resultado atingiu 2,5 hectares globais. Se todo o mundo tivesse a mesma Pegada, o planeta teria que ser 50% maior para suprir as necessidades da humanidade. "Eu sei que preciso melhorar em alguns aspectos", reconhece Alves.
De acordo com ele, o teste da Pegada e outras informações que adquire no dia a dia são importantes para a mudança de hábitos. Ele conta que, no trabalho, já avançou bastante na redução de bens de consumo, economia de água e menor utilização de papel.
A jornalista Mariana Guerin, de Londrina, que também fez o teste a pedido da FOLHA, teve um resultado bem melhor do que esperava: 1,6 hectare global. Isso significa um uso de 90% dos recursos naturais do planeta - caso todas as pessoas tivessem os mesmos hábitos de consumo, estaríamos poupando 10% da capacidade da Terra. Dentre os itens que lhe garantiram boa pontuação, estão o pouco uso do carro (só para as compras de mercado e finais de semana), os cuidados com a separação do lixo e um perfil moderado de consumo de bens materiais.
"Eu me surpreendi com o resultado, achei que seria pior", conta Mariana. "Tem algumas coisas que a gente sabe que deve fazer, mas ainda não transformou em prática. Por isso, sempre acho que que está faltando um pouco mais."

CIDADES
Além de medir o impacto de cada ser humano sobre o meio ambiente, a Pegada Ecológica tem sido usada para medir o impacto de cidades, países e empresas. Com metodologias próprias, estes testes ajudam os gestores a melhorar a sustentabilidade de suas comunidades e corporações.
De acordo com a Global Footprint Network, o Brasil tem Pegada Ecológica de 2,9 hectares globais, o que o coloca em 56º no ranking dos países e acima da média mundial, que é de 2,7 hectares globais.
Resultado bem pior teve a cidade de São Paulo, que fez o levantamento em 2012: a Pegada da maior cidade do país ficou em 4,38 hectares globais - o que indica a necessidade de 2,5 planetas para sustentar o modo de vida da metrópole. As outras cidades brasileiras que já fizeram o teste são Curitiba, com 3,4 hectares globais; e Campo Grande, com 3,14 hectares globais.

Imagem ilustrativa da imagem O impacto de cada um sobre o ambiente de todos
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