‘‘Um pesquisador chega a uma casa humilde e pergunta para uma senhora quantos filhos ela tem. A resposta: dois. Entretanto, esconde um terceiro filho, paraplégico’’. Este é apenas um dos muitos cartuns do artista Ricardo Ferraz, que estão em exposição na Universidade Federal do Paraná/UFPR e revelam o duro cotidiano de portadores de deficiência.
Com humor negro e ironia, Ricardo Ferraz passeia pelo dia-a-dia de um ‘cadeirante’, como chama as pessoas que passam a maior parte da vida em uma cadeira de rodas, suas dificuldades de locomoção, atitudes e preconceitos presentes no cotidiano. ‘‘Não falo de deficiência, mas de cidadania’’, diz em frases espalhadas ao lado dos cartuns. O objetivo? ‘‘Fazer das tiras de um deficiente algo para se pensar’’.
Em uma das tiras, uma mulher dirigindo um carro recebe uma cantada de um pedreste. Mas na hora em que para o carro, ele responde: desculpe, não havia percebido as muletas. ‘‘A proposta não é chocar, nem dramatizar, mas fazer cócegas na sensibilidade’’, diz.
Nascido em Cahoeiro do Itapemerim, no Espirito Santo, Ricardo Ferraz, faz de seu trabalho um auto-retrato, sem falsa aceitação. ‘‘Não somos gueto, apenas cidadãos impedidos de participar’’, diz. Presidente e fundador da Associação Capixaba das Pessoas Portadoras de Deficiências, Ferraz publica suas tiras em jornais do Brasil e da Argentina, além de dirigir uma penitenciária estadual.
A exposição é itinerante e será mostrada em todos os prédios da UFPR. A partir do dia 23 de setembro, estará na Sala Arte, Design e Cia, no Edifício Dom Pedro I, na Reitoria.

mockup