Ele participou das históricas novelas de rádio, fundou um dos primeiros serviços de alto-falantes de Curitiba e relembra com saudades do tempo em que os rádios Galleno - aqueles aparelhos antigos que não dependiam de energia elétrica - eram a peça mais importante de uma residência. É difícil contar a história do rádio paranaense sem confundir com a própria história de vida do curitibano Osni Bermudes, 63 anos. Uma exposição que ficará em cartaz até o dia 16 de março, na Casa Romário Martins, conta as duas.
Ele não sabe quantas peças estão expostas e nem tem idéia de quantos aparelhos antigos estão em sua casa. ‘‘Uma boa parte foi para a exposição, temos um grande problema de espaço para guardar tudo aqui em casa’’, afirmou. Os rádios mais antigos são da década de 20 e o colecionador garante que a maioria deles está em perfeito estado de funcionamento.
Segundo ele, a exposição é a primeira de uma série e deverá ser seguida por uma mostra dos mais antigos aparelhos de televisão. Além de trabalhar 16 anos na Rádio Marumby, na qual ingressou com 15 anos de idade, Bermudes ficou três anos na TV Tupi, três na TV Paranaense e nove na TV Iguaçu, sempre como diretor de TV.
As peças que coleciona foram cedidas por amigos das épocas de comunicação e incluem telefones, filmadoras, gravadores, radiolas, câmeras, mesas telefônicas e outras. ‘‘Cada peça tem uma história’’, disse Bermudes.
Quando cursava o primeiro grau no Colégio Santa Maria, na década de 40, ele e seus amigos fundaram um serviço interno de alto-falantes que transmitia programação diária, noticiava os torneios de futebol, promovia paqueras e dava recados. ‘‘Minha paixão já vinha da infância, quando criança eu costumava procurar peças de rádio nos ferro-velhos da cidade, para colecionar’’, contou.
Depois de formado em Ciências Contábeis, profissão que nunca exerceu, continuou seu trabalho na área de comunicação. ‘‘Fui um auto-didata da TV, quando ela chegou à Curitiba eu já tinha muitas informações à respeito’’, explicou. Antes disso, ele acompanhou de perto a euforia das rádio-novelas e conta com orgulho que Curitiba possuia a segunda melhor equipe do Brasil, atrás apenas da Rádio Nacional-RJ.

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