A forte presença de imigrantes italianos e descendentes na Região Metropolitana de Curitiba ajudou a fixar por aqui a cultura da produção artesanal de vinho. Nas pequenas cantinas, em casa mesmo, famílias de cidades como Campo Largo, Colombo e São José dos Pinhais continuam produzindo vinho em pequena escala para consumo próprio e venda. A produção, que caiu a partir dos anos 70 por falta de matéria-prima, está voltando a crescer motivada pelo amor à tradição.
Mesmo com a idade avançada, o casal João Domingos Vanin, de 85 anos, e Marina Nair Vanin, de 82, mantém a cultura herdada dos avós. E a clientela vem até a chácara da família, em Campo Largo, para buscar o vinho. ''Não precisamos sair para vender. Só vendemos em casa. Quem sabe é que vem comprar'', conta Marina.
Duas das tinas onde a bebida fermenta têm mais de 100 anos e pertenciam ao bisavô de João. ''Quando eu nasci eles já faziam vinho'', ressalta o produtor. Os filhos ajudam, mas o casal não acredita que a produção caseira tenha muito futuro. ''Eles não vão continuar. Hoje querem maciota'', observa João. ''Está se acabando tudo. Nós estamos acabando também. Nessa idade o que esperar mais, né'', completa Marina, sorridente.
Ainda que a idade imponha alguns limites, os dois esbanjam vitalidade e disposição. ''Às vezes um filho ajuda no sábado porque está ficando pesado para nós. Mas a gente vai fazendo enquanto pode. É gostoso trabalhar com isso'', explica Marina. Até quase dez anos atrás a uva vinha das parreiras cultivadas na própria chácara. ''Era cada cacho bonito, que dava dó de moer'', lembra ela.
Sobre a qualidade do vinho, João garante que ''muito ruim não é''. ''Nunca vi ele falar mal de ninguém'', brinca. Para João, a principal qualidade dos vinhos artesanais é a pureza. ''Pode não ser tão bom quanto os que têm no comércio mas o nosso é do jeito que fez. Não tem droga nenhuma'', garante.
O vizinho João Gilberto Zanin, de 62 anos, que também produz vinho, defende a mesma tese: ''Nosso vinho é pagão, não tem batismo''. Ele conta que é do tempo em que se amassavam as uvas com os pés. ''Para fazer um quinto de vinho (o equivalente a 100 litros) levava quase um dia inteiro pisando. Eu era o que tinha o pé maior, então era eu que pisava porque rendia mais a moagem. E ainda assim demorava bastante. Pai, mãe e irmã traziam a uva e eu ia pisando'', recorda.
Zanin também aprendeu cedo como dar continuidade à tradição. ''Eu ajudava meu avô a socar vinho com o pé. Daí em diante, está no sangue. Italiano que não comer polenta e tomar vinho não é italiano. Aqui na Rondinha, quase todo mundo faz vinho.'' Para Zanin, a atividade é também uma oportunidade de obter renda. ''Precisa ter incentivo. O Ministério da Agricultura tinha que dar mais chance para o pessoal que produz pouco. Quanta gente iria produzir no interior e não viria para a cidade procurar emprego, ficava no próprio local'', reivindica.

Serviço
Saiba mais sobre a produção de vinho artesanal da Região Metropolitana de Curitiba através dos sites das prefeituras:
- Campo Largo: www.campolargo.pr.gov.br (clicar em turismo e produtos coloniais)
- São José dos Pinhais: www.sjp.pr.gov.br/caminhodovinho
- Colombo:www.colombo.pr.gov.br/cidade/turismo_circuito_italiano.php

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