O fim da história
Para Elizer dos Santos, do Sebo Ferreira & Santos (Rua Mateus Leme, 71 - Largo da Ordem), os objetos que conserva não têm nenhum valor histórico. Não têm, pelo menos para ele, que é um comerciante, como se define. As máquinas fotográficas, os pequenos brinquedos, os telefones e as outras centenas de quinquilharias: em nada disso há marcas de história. O tempo, na visão de Santos, não ficou dessa forma. O sebo, para ele, não é um pequeno museu: é simplesmente seu ganha pão.
''Na verdade, aqui não existe essa coisa da conservação histórica. É algo estritamente comercial'', diz. A desilusão de quem transformou a paixão em negócio talvez esteja contida em sua fala. ''Eu fui colecionador por muito tempo. O encanto acabou porque, depois do sebo, as coisas vêm muito fácil. A grande paixão do colecionador é encontrar o objeto que procura há muito tempo'', filosofa ele, explicando que com a loja, passou a ter todas as raridades disponíveis, a todo momento. O que era raro ou antigo acaba se tornando comum ao olhos do proprietário, como um afiador de serrote que está a venda por R$ 280.
Santos conta que em seu sebo, que existe há 11 anos, já viu coisas bonitas, raras e muita gente que se fascina por estes objetos. Viu também muita gente que vai até sua loja vender partes da sua história pessoal transferida para um simples objeto. ''Quando vem alguém vender algo que pertenceu ao avô, por exemplo, fica decepcionado pelo valor. Nem compro. As pessoas não querem vender a peça, mas sim a história, o sentimento'', revela.
Homem de negócios que é, Santos diz que independentemente do valor histórico do objeto ou há quantos anos resiste aos percalços do tempo e as rasuras do cotidiano, tudo ali está a venda. ''Muita coisa, quando chega aqui, perde sua história'', diz. Volta a ser apenas um objeto do dia-a-dia que ficou velho. E o tempo vence mais uma vez.
(Até quando a peça voltar a fazer parte da história de alguém). (T.A.)





