O FEMININO NO SÉCULO XXI - Sucesso, isso elas conhecem bem
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 2008
Kellen Lopes<br>Especial para a FOLHA 
Visionárias e empreendedoras, as mulheres do século XXI encaram os desafios da vida com a maior naturalidade. São mães, esposas, estudantes, donas-de-casa, amigas e empresárias. Elas já não se contentam mais em apenas ganhar dinheiro, querem ser respeitadas e valorizadas. Confrontadoras, as mulheres modernas expressam seus sentimentos e emoções.
A psicóloga e escritora Carmem Garcia de Almeida analisa esse novo paradigma. ''Antes a mulher ficava em casa, cuidando do marido e dos filhos e até a escolha de um companheiro tinha outros critérios. Isso mudou. Ela coloca suas necessidades emocionais e sexuais claramente'', comenta a psicóloga, autora dos livros ''Vida de Casada'' e ''Intervenções em Grupo - Estratégias Psicológicas para Melhoria da Qualidade de Vida''.
Ligada aos valores estéticos, a mulher deixou de ser ''escrava'' do fogão e do tanque e tornou-se presa ao manequim nº 38, academia e clínicas de estética. Segundo a psicóloga, ''preocupadas com aquilo que a mídia coloca como padrão de beleza, tipo Gisele Bundchen, muitas acabam esquecendo seu valor interior''. Uma questão que envolve relacionamento social e valorização de si mesma. Para Carmem, ''auto-conhecimento e questionamentos, além de saber se as suas necessidades estão sendo satisfeitas, são as chaves para lidar com problemas de auto-estima''.
Miriam Weffort Patrial, presidente da Associação de Mulheres de Negócios (BPW-Londrina), é um exemplo desse novo modelo da mulher global. Organizadas em associações, ela e outras empreendedoras desenvolvem projetos sociais, participam de movimentos políticos e culturais. ''Estimulamos e damos apoio para a nossa associada crescer, criando oportunidades de emprego para a população e colaborando com o desenvolvimento da cidade''
Há 6 anos, Miriam concluiu a faculdade de Hotelaria e Turismo, abriu o seu próprio negócio no ramo da gastronomia. No início atendia 80 pessoas, hoje o público chega a 400. ''O serviço, que antes era só aos domingos, tornou-se diário porque passei a atender eventos fechados'', conta Miriam.
Novos desafios
Bem resolvida, Eládia Morinigo Leitão não se deixou abater com os desafios que a vida lhe impunha. Casada, mãe de Ricardo, 25 anos, e Rodrigo, 23, avó de três netos, e proprietária de um centro de estética, ela colhe os frutos do que plantou com garra e determinação.
Com nove anos de idade mudou-se do Paraguai para o Brasil. Na época havia estudado até a 4 série do ensino fundamental, só falava o castelhano e a grade curricular das escolas brasileiras não correspondia com a paraguaia. Resultado: teria de fazer novamente os estudos de 1 a 4. Mas uma série de fatores fez Eládia adiar os planos de estudar.
Com 12 anos de idade ela começou a vender cosméticos. Anos mais tarde, e comunicando-se bem em português, passou a frequentar cursos técnicos de estética. A vida tomava o rumo que desejava e o sonho de fazer uma faculdade estava cada vez mais próximo.
Com os filhos ainda pequenos, Eládia, com o apoio do marido, abriu uma loja de cosméticos. Trabalhando em família, ela retomou os estudos. ''Trabalhava o dia inteiro e à noite estudava. Tive de voltar ao ensino fundamental'', relembra Eládia, que há três anos concluiu a Faculdade de Estética.
Atualmente sua loja está integrada a um Centro de Tratamento Estético, onde administra cursos, atende suas clientes e emprega nove funcionários. Segundo a esteticista, a busca e o aprendizado são constantes. ''Participo de congressos todo ano, não posso parar de me aprimorar'', comenta.


