- Se você tivesse que tomar um vinho só sua vida inteira, qual escolheria?
- Eu passaria a tomar cerveja.
A conversa entre uma sommelière e um apreciador de vinho transmite o espírito da bebida: o universo é tão grande e rico que, para os apreciadores, é impossível ficar com um tipo só. Transitando por lugares onde o consumidor encontra vinho em Londrina, variedade é o que se vê. Variedade de rótulos, de preços, de lugares e pessoas interessadas no assunto. Há muito o que explorar sobre a bebida, e é isso que aguça a curiosidade dos amantes do vinho.
''A pessoa que está desenvolvendo o hábito de tomar vinho tem de estar aberta. Cada lugar tem um terroir (características do local onde a vinha foi plantada) diferente, então ele interfere muito no paladar dos vinhos, nos aromas, na estrutura. É bom fazer isso porque você está aprendendo mais, melhorando sua percepção'', considera a sommelière Gisele Bispo.
''Eu sou fascinado por vinho por causa da diversidade. Cada vinho é um povo, uma família, uma cultura, uma língua, uma guerra, um sofrimento'', diz o psicanalista Marcelo Castro. Ele costuma visitar vinícolas Brasil afora na companhia da esposa. ''Viagens econômicas, sem ostentação. Meu objeto de consumo é conhecer.''
Encontramos Castro no bar e restaurante Brasiliano. O lugar possui uma carta de vinhos seleta, a maior parte formada por vinhos jovens, ou seja, que têm tempo de vida mais curto. São os mais apreciados pela enfermeira Lílian Poli de Castro, esposa do psicanalista. O Beaujolais Noveau, que dura pouquíssimos meses e possui aroma bem frutado, está no topo do seu ranking.
Junto a uma breve descrição de cada rótulo, o proprietário do estabelecimento, Marcelo Camargo, sugere pratos que vão bem com cada bebida. ''A maior dúvida do cliente ainda é em relação à harmonização. Então eu fiz um esqueminha para facilitar a vida deles. Não é verdade absoluta, eu até coloco isso na carta, e a pessoa pode ficar à vontade.''.
Qualidade
Junto à esposa, o psicanalista bebia um vinho branco para acompanhar o calor dos últimos dias. ''Os vinhos brancos e os espumantes são bebidas delicadas, feitas para climas quentes e ensolarados e se destacam por seus aromas frutados e florais e também por sua acidez característica'', ensina a sommelière.
''Eu tomo o espumante com qualquer coisa. Peguei esse costume na França. Eles tomam espumante como se fosse refrigerante'', conta o historiador Renan Saab. Ele compra sua garrafa de vinho toda semana em supermercados da cidade. Em dois locais verificados por Gisele, foi possível encontrar rótulos de qualidade por até R$ 30,00, que é a faixa de preço que o historiador costuma gastar.
''O brasileiro não associa muito o vinho com o verão, mas é questão de mudança de hábito. E ele já está descobrindo os espumantes, os vinhos brancos e os rosés. É tudo questão de tempo'', opina a sommelière.
Os tintos, entretanto, já estão mais disseminados, ainda que existam consumidores que preferem não arriscar muito a escolher rótulos diferentes. ''Dificilmente eu mudo muito, porque em uma ou outra ocasião acabei pegando um vinho diferente e não gostei. Só se eu tiver uma referência, ou às vezes alguém comenta, aí eu arrisco'', afirma o funcionário público Gerson Shimura. Ele diz que começou a tomar vinho quando esteve no Japão a trabalho. Lá, afirma, as lojas de conveniência têm um espaço reservado só para a bebida.
Ronny Takahashi é um dos donos do Barraco da Sopa, onde o funcionário público costuma frequentar e sempre pede uma taça de vinho. No mundo dos vinhos, também existe moda. Takahashi conta que na época em que foi muito divulgado na mídia que o vinho da uva Tannat seria um aliado à saúde do coração, todo o seu estoque de vinho do tipo acabou.
''Lembro também quando passou uma novela em que um ator falou do Malbec. Naquela época, o Malbec fez sucesso'', conta Takahashi. Mas também acontece de vinho ficar com fama ruim. ''E quando saiu aquele filme em que o personagem não gostava do Merlot? A venda caiu depois disso'', acrescenta a sommelière, que trabalhou em restaurantes de São Paulo e atualmente faz consultoria para outros estabelecimentos da cidade.
Serviço: Curso de iniciação à degustação de vinhos com a sommelière Gisele Bispo. Dia 15 de dezembro de 2009, no restaurante Barolo (Rua Belo Horizonte 1355), às 20 horas. Finalização com jantar e show de Bossa Nova. Valor: R$ 190 por pessoa. Contato pelo telefone (43) 8429-1985 ou pelo e-mail [email protected] (Gisele Bispo).

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