Dificilmente outro veículo inspirou tanta paixão ao longo de sua história quanto o fusca. De filmes como "Se meu fusca falasse" a músicas como "Fuscão preto", o carrinho popular com "cara" de besouro vem conquistando gerações de admiradores desde que passou a ser fabricado no Brasil, há 50 anos.
Para comemorar seu aniversário em solo brasileiro, o clube Amigos do Volks realizou no último domingo, no estacionamento do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico de Curitiba, o Dia Nacional do Fusca - 50 Anos do Fusca no Brasil, que reuniu mais de 700 veículos entre Variants, Kombis, TLs, Brasílias, Karmann ghias e outros carros com motor a ar e chassi da Volkswagen, além, é claro, de fuscas de todas as cores, tipos e estilos. A estimativa dos organizadores é que mais de 2.500 pessoas tenham visitado o evento.
O motivo de tanta paixão pode ser explicada pela capacidade do carrinho de se assemelhar à personalidade do seu dono. Essa característica torna cada fusca único em sua proposta, fato que se comprova ao passear pelo encontro, onde encontramos carros pretos, rosas, listrados, com acessórios inusitados, temáticos (como o Herby do filme), equipados, envenenados, fusca para aventura, fusca para romance, para ouvir música, para levar a galera (e que galera!) e até fuscas para serem apenas vistos, que nunca saem da garagem a não ser para essas exposições.
Com 28 anos, dois deles como proprietário de um fusca, o estudante Péricles Ferreira, acredita que o ar vintage e o baixo custo do veículo também ajudam a fazer dele "uma paixão brasileira", mas foi a capacidade de customização que conquistou sua preferência. Ele conta que muito em breve pretende fazer algumas mudanças para que seu carro tenha uma personalidade mais parecida com a sua.
Para o presidente do clube Amigos do Volks, Marcelo Moura de Oliveira, o gosto por fuscas é um "hobby doentio", que o leva a gastar uma fortuna em peças trazidas da Alemanha para incrementar sua máquina, também de origem alemã.
Outro apaixonado "doente" pelo besourinho é o empresário Benedito Ramos de Camargo, 64 anos, que em 2008 adquiriu uma relíquia: o último fusca produzido em série no Brasil, no ano de 1986. O veículo serviu de modelo para a fabricação dos fuscas após o seu retorno, promovido pelo presidente Itamar Franco, em 1994. "Esse carro tem história", vangloria-se o proprietário, que diz ter pago o preço de um carro zero quilômetro "dos bons", pelo fusquinha, que até então estava em poder de ex-funcionários da Volkswagen. Apesar de ter outros dois fuscas de colecionador em casa, mais antigos e com mais de 80% das peças originais, este é o único que ele não considera a possibilidade de vender, nem por R$ 50 mil, como já lhe teriam oferecido. "Cinquenta mil muita gente tem, um carro desses é único", explica.


Kombi customizada vira atração nacional
Além da possibilidade de conferir raridades e trocar informações entre si, os proprietários de fuscas e outros carros da Volkswagen com refrigeração a ar encontraram no evento do último domingo uma boa oportunidade para realizar negócios.
Em poucas horas o comerciante Claudinei Batista do Amaral, 59, conhecido como "Nei do Fusca", vendeu quase todo seu estoque de lanternas e acessórios antigos que levou à exposição. Sua estratégia é "garimpar" peças originais em ferros velhos e auto-peças para depois vendê-las aos proprietários dos veículos. Segundo ele, a margem de lucro obtido com cada peça ultrapassa os 100%, mas não é para amadores. Para agradar a clientes criteriosos como colecionadores de carros é preciso conhecimento do negócio. "Eles são muito atentos a detalhes", conta.
Além das peças, Nei anuncia também a venda de uma variant ano 1973. Essa já se tornou uma prática comum para ele, que busca veículos em Londrina para vender em Curitiba. O desapego pelo carro, objeto de desejo de vários colecionadores, faz parte do trabalho. "Como vendo direto, não me dói no coração", afirma.
Outro que está fazendo da sua paixão pelos carros antigos um negócio lucrativo é o técnico mecânico Marco Aurélio Rebuli, 41. Há alguns anos ele resolveu equipar sua kombi para deixá-la parecida com o estilo californiano, "de surfista". Para isso comprou diversos acessórios e pintou-a de laranja, apenas para seu próprio deleite e de sua família.
No ano passado, Rebuli recebeu um telefone de uma agência de publicidade que manifestou interesse de usar seu veículo em um comercial de uma operadora de celular. A partir daí, segundo ele, o carro ficou famoso no Brasil e começou a despertar interesse de alguns noivos aficcionados por veículos da Volkswagen que desejavam usar a kombi no dia do casamento. Surgiu aí a Casamentos.kombi.br, que tem como slogan: "proporcionando um início de casamento inesquecível". Segundo Rebuli, pelo preço de R$ 400,00 ele equipa o veículo com tules e flores, leva a noiva à igreja e o casal à recepção com direito a serviço de bordo e uma pagem, sua esposa, para ajudar os noivos. (A.A.)

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