O Everest dentro do escritório
Alessandro SantosPara o cineasta e comentarista Arnaldo Jabor, colher informações e opiniões com profissionais de outras áreas é benéfico ao empresariado: a visão é mais amplaCordas, mochila, botas de alpinismo, mosquetões e outros apetrechos para as aventuras são deixados de lado. Entram em cena o projetor de slides, um jogo com 50 fotos e dois vídeos. Durante cerca de uma hora, a platéia será transportada para o gelado pico Everest. O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, primeiro brasileiro a atingir o cume do Everest, faz parte do grupo dos profissionais que vivem de aventuras e dividem suas experiências com auditórios lotados em concorridas palestras.
A vivência do alpinista em planejar expedições, vencer obstáculos e conviver com o perigo é considerada muito útil no mundo empresarial. Niclevicz já chegou a realizar uma média de duas palestras por semana, recebendo convites de empresas tão diferentes como bancos, indústrias metalúrgicas e grandes corporações como a Vale do Rio Doce, além de fundações de formação de executivos e associações de todos os tipos. Atualmente o ritmo diminuiu para uma apresentação por mês, devido ao fato de Niclevicz estar envolvido com a conclusão do seu projeto de escalar os sete cumes mais altos dos cinco continentes. Mas apenas neste início de ano, recebeu 12 consultas para palestras, que custam R$ 4 mil cada.
Niclevicz encara com naturalidade a transferência de suas experiências recheadas de aventura para o dia-a-dia de uma empresa. Falo sobre minha conquista, o Everest, mostrando que toda empresa e mesmo as pessoas, a nível particular, também têm seus Everests a serem vencidos, explica. Para o público é muito interessante conversar com alguém que venceu um mito como o Everest, um objetivo que é tido como quase inalcançável. É bem diferente de assistir uma palestra com alguém que tem apenas uma discurso bem forte. A mensagem fica mais fácil de ser assimilada e motiva mais as pessoas.
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Várias etapas de uma escalada ou expedição de aventura podem ser comparadas com fatores encontrados na rotina de uma empresa, conforme Niclevicz. A necessidade de um planejamento minucioso, o gerenciamento de riscos, as tomadas de decisão, a maneira de lidar com os imprevistos e o espírito de equipe são temas que fazem parte das minhas expedições e com que um executivo também lida o tempo todo. Para adaptar seu conhecimento ao mundo dos negócios e a cada empresa que atende, Niclevicz costuma preparar-se tendo longas conversas com a diretoria. Procuro criar ligações entre as dificuldades e situações que vivi com as da empresa.
Atualmente, os patrocínios que viabilizam as expedições de Niclevicz, mantidos pelas empresas Paulista Seguros e O Boticário, cobrem apenas os gastos para que elas sejam realizadas. Não sobra dinheiro para o que seria um salário de aventureiro profissional. A grande parte do orçamento do alpinista é formada pelas palestras. E ele está abrindo uma empresa, a Sargamata, exclusivamente para gerenciar este lado e transformar em lucros os produtos que nascem das expedições, como os livros e vídeos. Hoje, 90% do meu patrimônio foi formado com esta atividade, diz. Niclevicz, entretanto, garante que a atividade de palestrista não é mantida apenas por fins financeiros. O fato de eu ser procurado para falar da minha conquista é uma grande forma de reconhecimento que me emociona. E também gosto muito de me relacionar e conhecer novas pessoas, afirma.





