Foz do Iguaçu - Boa parte dos adolescentes que se envolvem com o crime, cedo ou tarde, experimentam drogas. Alguns deixam de trabalhar para os criminosos e, viciados, acabam se tornando apenas usuários. Morrem por não pagarem dívidas com traficantes. Outros morrem em disputas com gangues rivais ou por vingança por já terem matado alguém. Por último, há os que morrem por engano.

Foi assim, sem nem saber o por quê, que João (nome fictício), 17 anos, morreu alvejado por 17 tiros de pistola 9 milímetros na última segunda-feira. Evangélico, apaixonado por música gospel e com o sonho de ser engenheiro, seu maior ''crime'' era ser parecido fisicamente com um vizinho envolvido com o tráfico de drogas. ''Até eu já tinha confundido meu filho com o vizinho'', conta Loreci dos Santos Lima, que ainda chora a morte do filho.

De acordo com o delegado de homicídios de Foz, Marcos Araguari de Abreu, dois homens em uma moto chegaram à Vila C, um bairro razoavelmente bem estruturado da cidade, construído para abrigar trabalhadores de Itaipu, procurando o vizinho de João. Pela semelhança física, confundiram os rapazes e mataram o filho de dona Loreci.

''Já apreendemos a motocicleta utilizada no crime e identificamos o piloto e o assassino. Eles estão foragidos'', comenta o delegado, um paulistano de 31 anos que trocou, há quatro meses, o trabalho em uma delegacia da Zona Leste da maior cidade do Brasil por Foz atraído pelo melhor piso salarial de um delegado no Paraná - em torno de R$ 10 mil contra R$ 5,1 mil em São Paulo - e pelo desafio de atuar na área de fronteira. ''Encontrei aqui uma polícia bem entrosada e gente com muita vontade de trabalhar. Estamos fortalecendo muito o trabalho da delegacia de homicídios e vamos intensificá-lo cada vez mais, principalmente indo para a rua'', enfatiza Abreu, que dispõe de sete investigadores e um escrivão para ajudá-lo a solucionar os homicídios que já passam de 100 em 2009.

Enquanto isso, a mãe que viu seu filho morrer de forma covarde não consegue sequer ajeitar o quarto do garoto. ''Até a última xícara de café que ele tomou ainda está aqui. É difícil aceitar isso. Quantos inocentes ainda vão morrer em Foz? Vou lutar para que os assassinos sejam presos, pois não quero que outros meninos morram. É lamentável que Foz, a cidade onde criei meus filhos, esteja assim. Não temos segurança aqui'', lamenta Loreci. (W.S.)

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