A empregada doméstica Sônia (nome fictício) passou vários dias de angústia quando o marido desapareceu. ''É um sentimento terrível, não sabíamos se ele estava sequestrado, vivo ou morto. Parei de trabalhar e só conseguia dormir com calmantes'', relembra. O drama chegou ao fim quando uma funcionária de um hospital da cidade entrou em contato com a família, 20 dias depois do desaparecimento. ''Ele passou mal no meio da rua e, como não tinha o costume de andar com documentos, não conseguiram avisar a gente'', explica a esposa. A pista encontrada pelo hospital é bastante curiosa: um vale-pizza, que ele havia pego na igreja que frequenta. Uma equipe ligou na igreja e uma funcionária, que ouviu a história do desaparecimento, acabou desfazendo o mistério. ''O mais importante foi encontrá-lo com vida'', resume Sônia.
Quem também passou pela experiência nada agradável foi Joana (nome fictício), moradora de uma cidade da Região Metropolitana de Curitiba, e que prefere não se identificar. Numa noite de sábado, o filho saiu com os amigos para uma festa. E não voltou. ''Eles disseram que não sabiam pra onde ele tinha ido. Duas semanas depois não tínhamos notícia'', conta. Cartazes foram espalhados pelo bairro e avisos nas rádios foram deixados. Mas foi o apelo em um programa de TV que possibilitou o reconhecimento: um funcionário do IML percebeu que as características do jovem eram semelhantes às de um corpo que havia sido enterrado em uma cidade vizinha sem identificação. ''Foi muito triste ter a confirmação da notícia, mas pelo menos terminou a angústia'', relata a mãe. O jovem estava sem documentos e havia caído em um rio.
Para a assistente social Marilda Alves dos Santos, é recomendado que todos andem com algum tipo de identificação. ''Pode ser um xerox de um documento com foto, algum telefone de pessoa que deve ser contatada em uma emergência. Qualquer coisa que ajude'', sugere.
Outro pedido que Marilda faz é a volta das listas telefônicas de assinantes, que antes eram comuns, mas foram praticamente substituídas por listas comerciais. ''Elas eram um grande aliado nessa busca pelo desconhecido, já que com elas conseguíamos achar um parente, um vizinho, um parente do vizinho. Sem elas ficamos meio à deriva'', lamenta. (M.M.)

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