O doce potencial da stevia
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Katia Baggio De Jandaia do Sul Especial para a Folha 
O que a stevia, uma pequena planta doce e aparentemente frágil, pode fazer pela agricultura do Vale do Ivaí? Transformá-la em uma grande produtora e fortalecer a economia local, respondem o apresentador e empresário Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e uma dupla de empresários curitibanos. Eles estão investindo R$ 5 milhões na produção e industrialização da stevia, um adoçante natural, 450 vezes mais doce do que a sacarose (açúcar comum), para revolucionar o mercado alimentício nacional.
Ex-morador de Jandaia do Sul, Ratinho está investindo na região para vê-la recuperada economicamente. A produção e industrialização da stevia tem uma função social na região, de reforçar a renda do agricultor e fixar o homem no campo, destaca o apresentador.
Pesquisas do Núcleo de Estudos em Produtos Naturais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) chegaram a uma variedade com o princípio rebaldiosideo A como satisfatória em termos de doçura e sabor, conforme explica o professor Silvio Cláudio da Costa, coordenador do projeto da UEM que visa a melhoria da stevia. A planta onde o princípio majoritário é o rebaldiosideo A é mais doce e não tem o gosto ruim, como acontece em outros adoçantes, explica. A UEM é parceira dos investidores no setor de pesquisa e melhoramento da planta.
Conforme o pesquisador, não há registros de contra indicação da stevia para diabéticos, obesos e hipertensos e os investidores esperam introduzir o componente em qualquer alimento doce industrializado, desde as linhas diet e light até as guloseimas convencionais.
O projeto prevê a introdução do produto no mercado em um ano e retorno financeiro em dois anos. A stevia tem um mercado enorme esperando por ela porque pode ser utilizada não só em produtos diet e light, como adoçantes, refrigerantes, doces e bolos, mas em todos os alimentos doces, substituindo o açúcar, porque não é metabolizada pelo organismo, explica Costa.
A indústria farmacêutica é outro alvo. Por isso, as perspectivas de negociação são as melhores. Será uma revolução na indústria, atestam os empresários João Célio Cozir e Nelson Martinez, parceiros de Ratinho no investimento.
O projeto de produção e industrialização da stevia está distribuído em setores específicos, como o Núcleo de Estudos de Produtos Naturais, na UEM, que também abriga um projeto-piloto da Usina de Processamento. A usina será instalada em Jandaia do Sul, onde já funciona a Estação Experimental Vale do Ivaí, que mantém 300 mil pés de stevia, trazidos do matrizeiro, em Marialva.
Um galpão de secagem das folhas está sendo construído próximo à estação experimental. O complexo terá mil e duzentos metros quadrados e um custo de R$ 600 mil. A previsão de entrega da obra é final de junho, com capacidade para processar uma tonelada de folhas verdes por hora.
A UEM desenvolveu o projeto baseado na técnica da clonagem, ou multiplicação in vitro para produzir plantas idênticas à variedade considerada satisfatória e manter a qualidade da variedade. Os investidores esperam comercializar dentro de um ano 10 toneladas de stevia por mês, superando em sete anos o volume anual de venda de aspartame. O Brasil consome 600 toneladas desse adoçante sintético por ano e podemos superar em muito esse número, afirmam os empresários.


