O dia em que um tornado atingiu Taquarituba
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quarta-feira, 26 de julho de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

No dia 22 de setembro de 2013 um princípio de tornado atingiu Londrina no início da tarde. Em menos de 15 minutos, os ventos de mais de 100 km/h deixaram um rastro de destruição em vários pontos da cidade, com árvores arrancadas, casas destruídas total ou parcialmente e boa parte da cidade sem energia elétrica. Menos de duas horas depois, no município de Taquarituba, no interior paulista, um tornado devastou parte da cidade e deixou dois mortos e 82 feridos.
Todo o setor industrial do município de 25 mil habitantes foi afetado pela força dos ventos que, estima-se, tenha ultrapassado os 200 km/h. Trinta indústrias foram atingidas, algumas com perda total, além de três bairros residenciais e alguns imóveis públicos, como o terminal rodoviário, um ginásio de esportes e um barracão de agronegócio, que vieram totalmente abaixo, e algumas escolas sofreram destelhamento.
O prejuízo calculado pelo prefeito à época, Miderson Milléo, foi de pelo menos R$ 9 milhões apenas para os prédios públicos. Essa foi a quantia gasta para a reconstrução dos imóveis afetados na passagem do tornado. "A recuperação da cidade foi feita com auxílio da população local e de entidades, como as igrejas católica e evangélica, o Rotary, a maçonaria e doações da comunidade. Também tivemos doações de instituições financeiras e financiamento do governo estadual, além de recursos próprios do município", relembra o ex-prefeito.
"Num primeiro momento o nosso olhar é de perplexidade, depois vem um sintoma de impotência e o que a gente pensa é como vamos resolver isso aí?. Depois a gente tem que encarar", recorda Milléo. "Mas a reconstrução não foi tão demorada. Em 2016, quando deixei a administração, todas as obras estavam prontas. E hoje, graças a Deus, a cidade está melhor do que era porque está tudo novo", diz o ex-prefeito que nesta sexta-feira (28), durante sua participação no 9º EncontrosFolha, irá apresentar um vídeo dos efeitos provocados pelo tornado em Taquarituba há quase quatro anos e de como está o município hoje, totalmente recuperado.
Milléo reconhece que a ação humana colaborou para a formação do evento climático no município. "Eu acredito que o desmatamento na região tenha contribuído porque nossa região virou totalmente agrícola. Tudo o que era mato hoje é campo de soja, trigo, milho e essa também é a região mais irrigada do Brasil hoje. Então, acho que foi uma somatória de fatores relacionados ao meio ambiente que contribuiu para esse tipo de evento climático", afirma.
O ex-prefeito garante que o município sempre adotou ações baseadas na legislação ambiental vigente, mas acredita que o novo Código Florestal não favorece a preservação do meio ambiente, "principalmente em relação às margens dos rios". "Antes, eram 30 metros e depois do novo código, viraram 15 metros. Então, teoricamente, em vez de melhorar, a tendência é piorar", opina.
"Outro fator importante aqui é que a gente está banhado por duas represas. São 11 represas do Sistema Paranapanema. A primeira, a maior, é a de Jurumirim, que é nossa. E muito próxima já está a Represa de Xavantes também. Então, tudo onde era floresta, mato, hoje é espelho dágua e isso também influencia (as mudanças climáticas)", destaca o ex-prefeito.


