Destruição em Taquarituba: tornado chegou a 200 km/h
Destruição em Taquarituba: tornado chegou a 200 km/h | Foto: Diogo Moreira/GESP



No dia 22 de setembro de 2013 um princípio de tornado atingiu Londrina no início da tarde. Em menos de 15 minutos, os ventos de mais de 100 km/h deixaram um rastro de destruição em vários pontos da cidade, com árvores arrancadas, casas destruídas total ou parcialmente e boa parte da cidade sem energia elétrica. Menos de duas horas depois, no município de Taquarituba, no interior paulista, um tornado devastou parte da cidade e deixou dois mortos e 82 feridos.
Todo o setor industrial do município de 25 mil habitantes foi afetado pela força dos ventos que, estima-se, tenha ultrapassado os 200 km/h. Trinta indústrias foram atingidas, algumas com perda total, além de três bairros residenciais e alguns imóveis públicos, como o terminal rodoviário, um ginásio de esportes e um barracão de agronegócio, que vieram totalmente abaixo, e algumas escolas sofreram destelhamento.

O prejuízo calculado pelo prefeito à época, Miderson Milléo, foi de pelo menos R$ 9 milhões apenas para os prédios públicos. Essa foi a quantia gasta para a reconstrução dos imóveis afetados na passagem do tornado. "A recuperação da cidade foi feita com auxílio da população local e de entidades, como as igrejas católica e evangélica, o Rotary, a maçonaria e doações da comunidade. Também tivemos doações de instituições financeiras e financiamento do governo estadual, além de recursos próprios do município", relembra o ex-prefeito.

"Num primeiro momento o nosso olhar é de perplexidade, depois vem um sintoma de impotência e o que a gente pensa é ‘como vamos resolver isso aí?’. Depois a gente tem que encarar", recorda Milléo. "Mas a reconstrução não foi tão demorada. Em 2016, quando deixei a administração, todas as obras estavam prontas. E hoje, graças a Deus, a cidade está melhor do que era porque está tudo novo", diz o ex-prefeito que nesta sexta-feira (28), durante sua participação no 9º EncontrosFolha, irá apresentar um vídeo dos efeitos provocados pelo tornado em Taquarituba há quase quatro anos e de como está o município hoje, totalmente recuperado.

Milléo reconhece que a ação humana colaborou para a formação do evento climático no município. "Eu acredito que o desmatamento na região tenha contribuído porque nossa região virou totalmente agrícola. Tudo o que era mato hoje é campo de soja, trigo, milho e essa também é a região mais irrigada do Brasil hoje. Então, acho que foi uma somatória de fatores relacionados ao meio ambiente que contribuiu para esse tipo de evento climático", afirma.
O ex-prefeito garante que o município sempre adotou ações baseadas na legislação ambiental vigente, mas acredita que o novo Código Florestal não favorece a preservação do meio ambiente, "principalmente em relação às margens dos rios". "Antes, eram 30 metros e depois do novo código, viraram 15 metros. Então, teoricamente, em vez de melhorar, a tendência é piorar", opina.

"Outro fator importante aqui é que a gente está banhado por duas represas. São 11 represas do Sistema Paranapanema. A primeira, a maior, é a de Jurumirim, que é nossa. E muito próxima já está a Represa de Xavantes também. Então, tudo onde era floresta, mato, hoje é espelho d’água e isso também influencia (as mudanças climáticas)", destaca o ex-prefeito.

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