Aos milhares, eles percorrem extensas quilometragens a cada dia pelas vias de Curitiba. Os taxistas circulam no trânsito cada vez mais movimentado da metrópole que cresce sem parar. ‘‘Está cada vez pior. A cidade está cheia de motoqueiros, eles não respeitam. Também estão aparecendo muitas vans, liberaram muitas empresas. Isso fora ônibus e os domingueiros, esse pessoal que só sai de carro no fim de semana e parece que paga dois IPVAs, toma a rua inteira. Mas pelo menos a prefeitura está fazendo alguma coisa para melhorar o trânsito’’, diz o taxista Valter Antônio de Andrade, de 54 anos.
  Ele mora em Curitiba desde 1977. Estabelecido num ponto no Orleans, Andrade se reveza em turnos de 24 horas no táxi com o sobrinho. ‘‘A coisa boa de trabalhar no bairro é que 80% dos clientes são gente conhecida. Sei onde moram, o nome, o que fazem...’’, explica.
  ‘‘É uma profissão muito agradável. É bom trabalhar com pessoas, você conhece bastante gente’’, diz Devani Curtinaz Medeiros, de 52 anos, taxista há sete, desde que foi demitido da Telepar após a privatização da empresa. ‘‘Procurei o táxi por necessidade, para tirar meu sustento’’, aponta. Trabalhando diariamente das 7h às 17h30, tira aproximadamente R$ 100 por dia.
  Rivair de França, de 40 anos, destaca os benefícios e os dissabores da profissão. ‘‘A vantagem é que você não tem patrão e recebe todo dia. O ruim é que, como muitos taxistas não pagam INSS, têm que trabalhar até o fim da vida’’, afirma França.
  Valter de Andrade diz que outro problema é a constante preocupação com o veículo. ‘‘Como você utiliza muito o carro, gasta muito com manutenção. Um táxi anda até 80 mil quilômetros por ano. Desse jeito, a cada três anos você é obrigado a trocar de carro’’, relata.
  Ainda assim, as adversidades são contornadas com bom humor, alimentado pelas inevitáveis situações inusitadas do dia-a-dia de taxista. ‘‘Eu comecei a trabalhar como taxista em 1973, em Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão). Logo na minha primeira corrida, aconteceu uma história engraçada. Peguei um pessoal que queria ir a um lugar para pegar laranjas. Chegando lá, uma mulher estava de ‘fogo’, porque tinha tomado pinga. Ela subiu na árvore para pegar as frutas e a peruca dela ficou pendurada num galho’’, lembra Andrade, entre risos.

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