A história de Londrina pode ser contada através da sua população. Pessoas que chegaram aqui atraídas pelos anúncios da Companhia de Terras Norte do Paraná, que ‘‘vendia’’ a cidade como o futuro: terras férteis e riqueza para quem estivesse disposto a trabalhar. E foi assim que Londrina cresceu. Sem muito planejamento urbano, mas com o trabalho de um povo empreendedor, que não se cansou de batalhar e lutar pelo melhor para a cidade.
  Os rumos do desenvolvimento da cidade sempre foram ditados por construtores, corretores e pela vontade da população, sem muita influência do poder público. No início da formação da cidade, os negócios imobiliários eram restritos às fazendas de café, chácaras e aluguel de consultórios ou clínicas. No entanto, já naquela época a linha férrea (hoje Avenida Leste Oeste) impôs uma divisão entre as classes sociais. Abaixo da linha, os moradores eram de classes mais baixas. As melhores construções ficavam acima da linha do trem.
  O café fazia o dinheiro circular por Londrina. Por isso, os imóveis eram os investimentos preferidos da população que tinha algum capital. Mas o ‘‘boom’’ imobiliário começou a partir da década de 1960. ‘‘Nesse período faltava casa para comprar. A gente vendia o imóvel enquanto os pedreiros ainda estavam fazendo a medição no terreno. Não havia planta, contrato, nada. Os negócios eram feitos na base da confiança’’, lembra o imobiliarista Raul Fulgêncio.
  Na década de 1970, cerca de 8 imobiliárias dominavam o segmento. Surgiram os loteamentos na Zona Leste, com longos prazos para pagamento. Depois, com a cidade mais estruturada, a construção do Com-Tour levou investimentos para a Zona Oeste. Na década de 1970, a coqueluche da classe média eram os bairros San Remo, Champagnat, Araxá, Sumaré e Presidente. Já os londrinenses com maior poder aquisitivo preferiam o Quebec, Lago Parque e Aeroporto. A verticalização na região central da cidade já tinha começado, impulsionada pelos financiamentos da Caixa Econômica Federal.
  Condomínios - Mas o melhor momento vivido pela construção civil foi na década de 1980. Londrina ficou conhecida como a cidade do Brasil com mais metro quadrado em construção proporcional por habitante. Esse ‘‘período de ouro’’ ocorreu com a ajuda da economia e o Plano Cruzado. Como os juros eram baixos, ficou mais vantajoso investir em imóveis. E isso foi feito por funcionários públicos e classe alta.
  ‘‘A UEL se tornou referência nacional e atraía estudantes não só da região, mas de todo o País. Posso afirmar que a UEL foi determinante para o crescimento do mercado imobiliário. A agricultura, sozinha, não dava sustentação ao mercado’’, avalia Jorge Zeve Coimbra Neto, proprietário da Imobiliária Vivenda. Neste período, as construtoras inovaram e lançaram os condomínios a preço de custo.
  O sistema funcionava no formato de condomínio, com um grupo fechado previamente antes do início da construção. No entanto, essa modalidade durou pouco tempo: a inadimplência dos cotistas e o atraso na entrega das obras acabaram por inviabilizar o sistema. No entanto, alguns grandes apartamentos como o Comodoro, Costa do Marfim e Imperador e edifícios comerciais como o Oscar Fuganti e o Newton Câmara foram construídos neste sistema.
  O centro foi escolhido para abrigar essa verticalização pela praticidade e proximidade com o comércio. Já naquela década a segurança era motivo de preocupação para as classes média e alta. Como a modalidade do condomínio a preço de
custo não deu certo, as construtoras novamente inovaram e lançaram o auto-financiamento, sistema até hoje utilizado. Se a compra do imóvel é feita na planta, já é acertada uma prestação fixa por mês até que a obra seja entregue. Nesse caso, não costumam ocorrer atrasos na entrega
do edifício.


‘Boom’ imobiliário começou a partir da década de 1960. Na década de 1970, somente 8 imobiliárias dominavam o segmento

Melhor momento vivido pela construção civil foi na década de 1980, quando Londrina ficou conhecida como a cidade do Brasil com mais m2 em construção proporcional por habitante

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