Uma das maiores empresas da região, a Unimed Londrina tem um desafio enorme pela frente: manter-se sustentável num setor cujo futuro é nebuloso. Regulamentada pelo governo que determina os reajustes dos planos de saúde, a saúde suplementar brasileira trabalha com pequena margem de lucro e tem custos que crescem bem acima da inflação oficial. "Nosso setor é bastante regulado e tem margem que gira em torno de 2%. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) exige reservas em torno de 3% do faturamento. É um desafio crescente se manter nesse setor", afirma o superintendente Administrativo/Financeiro da Cooperativa, Ricardo Pinelli.
Ele ressalta que, há vários anos, os preços dos insumos do setor vêm subindo bem acima da inflação oficial. "Há muito tempo que esse crescimento fica em torno de 18%, 20%. É impraticável repassar ao cliente", explica.
A crise econômica é mais um fator a colocar em teste a sustentabilidade da saúde suplementar. Pinelli diz que, devido à difícil situação do País, a Unimed Londrina redobrou seus cuidados com o caixa. "O resultado do negócio depende muito de emprego e renda. E estes indicadores estão em queda livre", ressalta. "Não podemos descuidar do caixa, da liquidez da empresa", complementa.
O superintendente de Provimento de Saúde da cooperativa, Jorge Luiz Gonçalves, também ressalta as dificuldades do momento. "O segmento já vinha numa tendência complicada do ponto de vista dos custos assistenciais crescentes. Com o atual cenário econômico, a saúde suplementar vive um momento mais complicado que as demais atividades."
Com crise ou sem crise, a cooperativa, segundo os superintendentes, cuida atentamente da execução e da revisão de seu planejamento estratégico, processo que envolve toda a empresa. E não abre mão de buscar auxílio externo, quando preciso, para garantir o atingimento dos objetivos e metas. Há dois anos, uma empresa gaúcha analisou um a um todos os processos da Unimed. Muitos foram revisados com o propósito de aumentar a produtividade. "Trabalhar a produtividade significa fazer mais com menos. Você melhora a dinâmica, desburocratiza os processos. Isso faz com que sejam diminuídos os passos necessários para se chegar ao objetivo", explica o executivo de Desenvolvimento e Mercado, Weber Guimarães.
De acordo com o executivo, o modelo de assistência médica focado no tratamento de doença está sendo revisto em todo o mundo. Europa e Estados Unidos investem cada vez mais em prevenção. E a Unimed já implantou sua primeira equipe de Atenção Personalizada à Saúde (APS) para gerenciar clientes com problemas crônicos, evitando que eles piorem e precisem de atendimento hospitalar.

ACCOUNTABILITY
Mesmo com as energias voltadas para os desafios futuros, os superintendentes garantem que a cooperativa não deixa de lado as boas práticas que, segundo eles, fazem da Unimed uma empresa sustentável. Transparência e prestação de contas estão entre elas. "Fazemos prestação de contas mensal para os médicos cooperados. Todos são convidados para a reunião mensal com esta finalidade", explica Pinelli. Aqueles que não vão às reuniões, recebem por e-mail os boletins com o demonstrativo financeiro.
A empresa também faz auditoria externa trimestralmente e planejamento orçamentário todos os anos. E ainda publica anualmente seu balanço social para a comunidade.

Imagem ilustrativa da imagem O desafio de manter-se sustentável
| Foto: Gina Mardones
Regulamentada pelo governo, a saúde suplementar trabalha com pequena margem de lucro e custos bem acima da inflação oficial, destacam os executivos da Unimed Londrina Jorge Luiz Gonçalves, Ricardo Pinelli e Weber Guimarães
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