'O corpo humano é uma máquina fantástica'
Lá se vão 30 anos que o ginecologista e obstetra João Bento de Moura Neto realizou o seu primeiro parto. Mesmo assim, ele ainda se emociona com cada bebê que ajuda nascer. Também questionado se considera a vida um milagre, ele compartilha da opinião do geneticista Paiva. ''Sim, é um milagre. Imagine só, o que começa com uma única célula, nove meses depois torna-se um ser maravilhoso'', destaca.
Considerando o corpo humano como uma máquina perfeita, ele cita como exemplo o coração - que bate sem parar do nascimento até a morte de qualquer indivíduo - como algo que ajuda a defender a sua opinião.
''Outro exemplo é a gravidez. O organismo aloja aquela célula inicial em um local perfeito, que é o útero, onde o bebê é cercado de todos os cuidados e recebe tudo o que precisa. Depois, quando a criança está formada, ela é expulsa dali por meio das contrações. Até o fato de as contrações serem intermitentes e não contínuas têm um motivo. A cada contração, as artérias uterinas, que levam o sangue para o bebê, são obstruídas, impedindo a passagem dos nutrientes. Por isso, é preciso que haja uma pausa entre uma e outra para que não falte nada para ele durante o trabalho de parto'', explica.
Em cada nascimento, mais provas de como a natureza trabalha de forma planejada. Logo que vem ao mundo, o bebê chora, e muito. Porém, assim que entra em contato com o corpo da mãe, aquieta-se. Ele se sente protegido. O instinto também faz com que a criança, imediatamente, procure o peito da mãe. Além de buscar leite, ele ajuda a cessar o sangramento uterino da sua progenitora. ''O estímulo do bebê no peito faz com que a mulher produza um hormônio chamado Oxitocina, que faz contrair o útero, diminuindo o sangramento'', relata o médico.
Para finalizar, o obstetra, que é plantonista do Hospital Universitário (HU) e já fez parto até no banco traseiro de um fusca, cujo motorista só conseguiu chegar até a portaria do hospital com a gestante, recorda-se de um caso que aconteceu há três anos, no HU. ''Foi atendida uma moça que gestou um bebê na cavidade abdominal, pois a célula se fixou ali e não no útero. O organismo criou uma placenta naquele local e o bebê nasceu bem, aos oito meses. Um verdadeiro milagre. Até hoje a biologia não tem uma definição exata para o que é a vida. É preciso valorizá-la.'' (W.S.)





