Quase 28 anos depois de ajudar a fundar o que hoje é a maior cooperativa agrícola do País, o presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), agrônomo José Aroldo Gallassini, não tem dúvidas sobre a importância do sistema cooperativista para a melhoria de vida dos agricultores. ‘‘O sistema é bom e funciona. É a melhor solução para os produtores rurais’’, diz. Segundo ele, uma cooperativa dá a força que o pequeno agricultultor, sozinho, não tem.
‘‘Na cooperativa, o pequeno produtor tem quem lhe fornece insumos, quem lhe dá crédito e que vende a sua produção’’, conta Gallassini. Além disso, frisa o presidente da Coamo, para o sistema cooperativista não existe produtor pequeno, médio ou grande. ‘‘Existem apenas associados iguais, que conseguem melhores preços, custos mais baixos de produção e contam com uma entidade que reivindica melhorias para o setor junto ao governo’’.
E a crise no setor? Para Gallassini, as cooperativas sofrem pelo fato de só trabalharem com a agricultura, que estaria sendo penalisada desde o Plano Cruzado, em 1986. ‘‘Desde 86 o governo lançou seis planos econômicos para combater a inflação, mas que também visavam fornecer alimentos baratos para a população’’, frisa. ‘‘Isso descapitalizou a agricultura e a consequência de preços ruins acabou atingindo as cooperativas’’.
Por isso mesmo, Gallassini vê com bons olhos, apesar da Coamo não precisar, o plano lançado pelo governo federal para ajudar as cooperativas que estão endividadas e sem capital de giral. ‘‘É um plano interessante’’, diz. O presidente da Coamo, no entanto, faz questão de lembrar que não se trata de um ‘‘Proer dos bancos’’. ‘‘É apenas um empréstimo que as cooperativas vão ter que pagar em 15 ou 20 anos’’, destaca. Segundo ele, o lançamento do plano é um reconhecimento do governo que a política econômica vem prejudicando a agricultura.
Insolventes‘‘O plano é bom, mas não pode demorar para ser executado’’, diz Gallassini. ‘‘Não dá para esperar’’. O presidente afirma que o Plano Real dificultou a situação de quem estava endividado e que muitas cooperativas acabaram ficando insolventes. ‘‘O setor teve problemas? Teve. Mas foi só o setor cooperativista? Muitas outras empresas faliram e teve até a crise nos bancos. Mesmo assim, tem gente indo bem’’.

COAMO
Fundação: novembro de 1970
Sede: Campo Mourão
Cooperados: 17 mil
Presidente: José Aroldo Gallassini
Área de abrangência: 41 municípios do Paraná e Santa Catarina
Faturamento em 97: R$ 1,02 bilhão
Sobras/exercício: R$ 49,31 milhões
Produção 97: 2,7 milhões de t
Soja: 19,25 milhões de scs
Milho: 12,96 milhões de scs
Trigo: 6 milhões de scs
Algodão: 3,7 milhões de arrobas

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