O comandante e fundador da Boca Maldita
Nada mais normal em Curitiba do que encontrar amigos e jogar conversa fora na Boca Maldita. No território da mais famosa tribuna livre do País, fundada há 41 anos, a liberdade é ideologia. Cada um diz o que pensa, sem restrições, sobre qualquer assunto. É por estas coisas que eu acho que Curitiba tem realmente uma normalidade muito grande, e também muita felicidade, afirma o presidente da Confraria da Boca Maldita, Anfrísio Siqueira.
Apesar de ter nascido na Lapa, Siqueira admira Curitiba e a considera uma das melhores cidades do Brasil. Entre as qualidades, ele cita a alegria das pessoas, a tranquilidade, a vida barata e o astral de cidade provinciana, apesar de seus quase dois milhões de habitantes. Aqui todo mundo se conhece.
Na contrapartida, quando tenta enumerar as desvantagens de Curitiba, ele vacila e pensa para responder: Já estamos sofrendo um pouco com os problemas de trânsito e de segurança, mas o resto é uma maravilha, garante. É por isso que os brasileiros que se aposentam em outras cidades estão vindopara cá.
A Confraria da Boca conta hoje com mais de mil adeptos, que se reúnem na Rua das Flores, próximo à Praça Osório, para conversar e trocar idéias. É uma verdadeira confraternização, que reúne pessoas de profissões, religiões e times de futebol diferentes, conta Siqueira. Nossas discussões chegam a interferir em assuntos políticos e sociais do Estado, afirma.
Além de ser pauta constante em vários veículos de imprensa do País, a Boca já foi amplamente noticiada em jornais do exterior. Ela é um grande motivo de orgulho para Curitiba, afirma seu presidente.
Prova disto é que seu estatuto, com cláusulas tipicamente curitibanas, já foi copiado por centenas de cidades do Paraná, Rio, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de outros Estados, que agora possuem confrarias idênticas à nossa.





