O checkup na hora certa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de março de 2012
Mie Francine Chiba<BR>Reportagem Local 
Procure seu médico de confiança e deposite, de fato, nele a sua confiança. Esta é a recomendação de profissionais do setor de saúde a respeito do checkup, diante de um assunto muito atual: a epidemia de exames preventivos, que tem levado a um diagnóstico em excesso, ou overdiagnosis. Com a evolução da tecnologia, exames cada vez mais sofisticados surgindo e a valorização crescente da prevenção, observa-se um fenômeno comum ao redor do mundo que é a realização exagerada de exames preventivos, o que pode trazer prejuízos ao próprio paciente.
De acordo com o médico cirurgião Ivan Pozzi, gestor de Regulação da Unimed Londrina, existe uma estimativa de que cerca de 60% dos exames de rotina pré-operatórios poderiam ser dispensados sem qualquer risco aos pacientes. Para o gestor, muitos dos achados desses exames poderiam ser encontrados com um simples exame clínico, e não alterariam em nada a cirurgia. E quase 50% desses exames não são nem retirados pelos seus responsáveis.
Na opinião do cardiologista Manoel Canesin, presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia (SBC/PR), não há como negar que a produção de exames tornou-se um mercado que gera conflitos de interesse entre médicos, operadoras de saúde e pacientes. Mas para ele e para Ivan Pozzi, o checkup ideal continua sendo uma boa avaliação clínica com um médico de confiança. É no exame clínico demorado de não menos que 30 minutos, avalia Canesin , que o médico consegue avaliar o histórico do paciente, fatores de risco e indicar, depois da avaliação, a necessidade de mais exames. Além da data em que o paciente deverá voltar ao consultório para um novo checkup.


