Segundo a taróloga Lorena Bittencourt, conhecida como Crystal, o bairro Centro Cívico reúne as forças telúricas mais positivas da cidade. ''Aqui circula muita energia'', garante a mística. Moradora do bairro há oito anos, ela cita como pontos de cruzamento energético a área em torno do Museu Oscar Niemeyer, também chamado de Museu do Olho, que reúne o bar Basset e o parque João Paulo II, transformado em um ponto de encontro para cachorros por seus proprietários. ''Os cachorrinhos trazem uma energia muito boa'', avalia Crystal.
Além da concentração energética, a região concentra outro tipo de poder, o político. Construído na década de 50 (veja o box) para abrigar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Centro Cívico é o cenário da grande maioria das decisões políticas do Paraná. Em torno da Praça Nossa Senhora de Salete encontramos as instâncias mais altas das instituições estaduais, como a Assembléia Legislativa, a Prefeitura de Curitiba, o Palácio da Justiça, o Tribunal de Contas do Estado, o Tribunal do Júri e o Palácio Iguaçu.
Recentemente o local ganhou um novo edifício, o Palácio das Araucárias, construído sobre a estrutura abandonada do antigo Fórum de Curitiba, que nunca foi concluído. O novo palácio agora é o local de trabalho do governador Roberto Requião e sua equipe, que aguardam a reforma do Palácio Iguaçu.
É muito provável que mesmo quem mora longe já esteve, ao menos uma vez, no Centro Cívico, nem que seja para ir ao Museu, resolver algum assunto na Prefeitura ou participar das solenidades cívicas em frente ao Palácio Iguaçu. O cabeleireiro Cícero de Almeida trabalhou vários anos na Assembléia Legislativa, cortando o cabelo dos deputados e seus assessores. Há quatro semanas ele passou a trabalhar em um novo estabelecimento, mas preferiu não se afastar muito desse público e continuou no mesmo bairro. ''Não queria sair de perto do poder'', justifica. Sua clientela, segundo conta, é generosa e exigente. ''Eles gostam de ser atendidos na hora. Dentro da Assembléia eles tinham prioridade na fila'', conta. Outros são vaidosos e requisitam também os serviços e manicure, mas a gorjeta compensa, afirma Cícero. ''Às vezes eles pagavam com notas de cinquenta reais e nem esperavam o troco''.

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