Curitiba - Nas eleições de 2010, dois nomes que estiveram na lista de candidatos ao governo do Paraná desde 1990 estarão fora da disputa: Jaime Lerner, que deixou o Executivo estadual no final de 2002, e Roberto Requião, que termina seu segundo mandato consecutivo no comando do Estado daqui dois anos. Mas a impossibilidade legal de disputar uma nova reeleição, no caso de Requião, se agrega a um outro elemento: o peemedebista, que também já administrou o Estado de 1991 a 1994, chega ao final do seu ciclo político. A análise é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na prática, o fim de uma liderança é encarado com naturalidade e não significa, necessariamente, força insuficiente para disputar um novo mandato eletivo. Tanto que Requião já é nome certo para disputar uma das duas cadeiras ao Senado em 2010. O fato do peemedebista ter chegado ao término de seu ciclo político representaria, na verdade, uma espécie de ''sinal de alerta''. ''Requião recebeu a luz amarela. Ele continuará com força política em 2010, mas pode ser surpreendido nas urnas, por conta do seu fim de ciclo. Basta lembrar que, em 1982, o então governador do Estado, Ney Braga, perdeu uma vaga no Senado para um nome jovial daquela época, Alvaro Dias'', conta Oliveira.
Para o cientista político, a popularidade de Requião hoje ''também não é das melhores''. O peemedebista, continua Oliveira, corre risco de perder na disputa ao Senado ''se não agregar apoios''.
Jaime Lerner, que comandou duas vezes o Estado, enfrentou o fim do seu ciclo político no final de 2002, e não teria intenção em voltar para uma nova disputa em 2010. Mas os herdeiros de Lerner certamente estarão lá. Segundo Oliveira, o tucano Beto Richa, prefeito de Curitiba, representaria uma ''modernização'' do grupo de apoio de Lerner. E mais: na avaliação do cientista político, ainda que duas lideranças dos últimos 20 anos estejam fora da disputa, 2010 não representará, necessariamente, renovação.
A linha política no Estado desde meados do século 20 foi sempre guiada por dois grupos políticos e, em 2010, pode não ter interrupção. Para exemplificar, Oliveira lembra o cenário de 1954, ano da primeira eleição direta para prefeito de Curitiba. Naquele ano, Ney Braga derrotou Wallace de Mello e Silva, pai de Requião, e Beto Richa, que em 2010 deve se candidatar ao Executivo estadual, é filho do ex-governador José Richa, nome que surgiu na política através de Ney Braga. ''São quase 50 anos com os mesmos grupos políticos.''
Outro elemento indicativo de ausência de renovação em 2010 seria a provável participação na disputa dos irmãos Dias, Alvaro e Osmar, atualmente senadores. Independente das suas forças políticas, são dois nomes que já figuram na esfera estadual há pelo menos 20 anos.

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