O caminho é a descentralização
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quarta-feira, 26 de março de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Investimentos comerciais tendem à descentralização e os bairros devem estar cada vez mais equipados de serviços, mesmo a região Central permitindo a construção de prédios, com condicionantes como recuos e altura. Essa é a análise do setor da construção civil em Londrina. "Isso está ocorrendo na Gleba, onde tem prédios comerciais, padarias, bancos", aponta o presidente do Sinduscon-Norte/PR, Osmar Alves.
Na opinião do coordenador de engenharia da construtora Vectra, Ricardo Yamaguti, a região Central recebeu muitos investimentos, porque ainda há a facilidade de abrigar todos os serviços necessários. A empresa ergueu na região quatro empreendimentos nos últimos quatro anos. "Mas os terrenos são menores, tem que juntar dois ou três lotes para viabilizar a obra e há a questão de altura, não pode ter mais de 20 andares", detalha.
Agora, o foco de investimentos da Vectra está mesmo na Gleba Palhano, dando força à tendência de descentralização. A construtora está erguendo na região dois grandes centros comerciais, com quase 400 salas e 60 lojas no total. As obras estão seguindo padrões ambientais rigorosos, que atendem às exigências da certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), concedida pela Green Building Council (GBC Brasil), entidade de reconhecimento mundial.
"Um dos critérios é economizar, pelo menos, 20% de energia elétrica e de água", detalha Yamaguti. Segundo ele, esse tipo de certificação é diferencial para atrair grandes clientes, como bancos e multinacionais. Para o coordenador, o mercado imobiliário local precisa de adequar ao grande nível de exigência dos clientes, o que faz com que as construtoras busquem, sempre, diferenciais, como o selo LEED.
Empresariado
Brasílio Fonseca, diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), acredita que a região central "tem seu charme", mas avalia que cada setor da cidade tem sua especificidade comercial e de público. Para ele, o centro precisa estar apto a atender os mais jovens, mais exigentes quanto às condições físicas das lojas e da parte urbana.
"Ou seja, tudo aquilo que os shoppings centers disponibilizam para seus clientes, por exemplo, segurança, conforto, beleza, inserção social, o centro de Londrina deve estar apto a oferecer", avalia o diretor. Para Fonseca, estes fatores devem nortear as políticas públicas de investimentos. Segundo ele, quando um empresário inicia sua investigação mercadológica para fazer determinado investimento, além do estudo de viabilidade financeira, ele avalia onde está o cliente que ele quer atingir e o entorno.
"Como o cliente gostaria de consumir, como ele pode se deslocar até lá, que tipo de mercado ao redor atrairia mais seu cliente potencial e assim por diante", enumera. "Se estas características todas estiverem em uma determinada região da cidade, é para lá que o empresário vai direcionar seus esforços e seus investimentos" .



