O caminho do futuro
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Aos 74 anos Londrina é uma cidade que não pára de crescer. Localização estratégica no Estado e pólo regional, o ritmo de crescimento do município não era imaginado nem mesmo pelos ingleses fundadores, que projetaram a cidade para abrigar cerca de 50 mil habitantes. Hoje com mais de 500 mil habitantes, o barulho do desenvolvimento está em todos os cantos. A sinfonia das betoneiras, gruas, serras, martelos, costumeiramente, tem acordado a cidade com um som que se mistura e se funde ao dos motores e buzinas dos veículos e ao vaivém das pessoas.
Neste ano a construção civil viveu um ano de ouro tanto em número de obras novas como na geração de empregos atingindo o melhor resultado da década. Oportunidade para o londrinense Bruno Vitorelli Valotto que conseguiu um emprego há dez meses como operador de grua. Até então, o único emprego com registro em carteira de Valotto havia sido como office-boy, quando tinha 16 anos. Depois disso, começou a ajudar o pai, que trabalha como pedreiro autônomo porque a atividade era mais compensatória financeiramente. Desde pequeno acompanhava meu pai no serviço e gostava, lembra.
Foi quando surgiu a oportunidade de fazer o curso de operador de grua na Escola da Construção da Plaenge. Depois de cursar aulas teóricas e práticas foi contratado. Estou muito satisfeito, não achei que fosse tão rápido, comenta. Agora, mesmo depois de empregado, ele não pensa em parar de estudar. Fez cursinho preparatório para o vestibular no período noturno, prestou vestibular e aguarda o resultado. É cansativo, estou contente no meu serviço mas ter estudo é fundamental, avalia. Valotto faz parte de uma estatística que aponta a contratação de 1.316 pessoas pela construção civil neste ano, o maior saldo já registrado pelo setor.
O volume de obras cresce a olhos vistos e, em alguns períodos, chegou a faltar pedreiros na cidade. Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Norte) aponta que até outubro deste ano a Secretaria Municipal de Obras concedeu alvarás de licença para a construção de 1.080 milhão de metros quadrados. Este volume é 62% maior ao registrado no ano passado inteiro, quando foi liberada a construção de 666 mil metros quadrados. 2008 está entre os melhores anos da construção em Londrina. Foi o ano de ouro, salienta Osmar Ceolin Alves, presidente do Sinduscon-Norte.
A facilidade do crédito, o aumento do nível de empregos e da renda das famílias colaboraram para o desempenho positivo do setor. Além disso, o sonho da casa própria está incorporado à maioria das famílias. Nos primeiros dez meses deste ano foram aprovados 2.438 projetos dos quais cerca de 1,1 mil são de projetos térreos de residências e 18 edifícios comerciais. O restante é de reformas, obras públicas, entre outras. Por enquanto nem mesmo a crise econômica mundial e a retração do crédito devem jogar uma pá de cal na construção em Londrina. Isto porque há muitos lançamentos imobiliários com contratos firmados, cujos compromissos serão honrados.
É o que espera o técnico em segurança do trabalho Wilson Aparecido da Silva. Até 2011 estamos garantidos, afirma. Há dez anos no mercado, dos quais oito empregado na construção civil, ele já passou por fases mais difíceis, quando muitos dos seus colegas perderam seus empregos e a negociação salarial era mais complicada. Além disso, há oito anos apenas ele exercia a função na empresa, hoje são quatro pessoas. A sua função é treinar e orientar os funcionários e garantir a segurança do trabalho para que todos voltem para casa no final do dia assim como chegaram pela manhã.
Assim como o operador de grua Bruno Valotto, Silva também pensa na capacitação. Está cursando a graduação em Engenharia Ambiental com o objetivo de se tornar um engenheiro de segurança. A empresa incentiva o estudo e a construção é o caminho certo do futuro, salienta.


