O brilho dos bastidores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Neuri Portela, de 43 anos, nunca havia entrado em um teatro, muito menos assistido a uma apresentação de dança. Há duas décadas, ele se preparava para seguir a trajetória profissional da maioria de seus parentes, trabalhando em uma funilaria. Mas, um de seus nove irmãos Nautílio Portela quebrou a tradição familiar, tornando-se ator de teatro, o que acabou mudando o rumo da história de Neuri, hoje o técnico responsável pela iluminação cênica dos espetáculos do Balé Bolshoi no Brasil.
Luiza Fiorenza foi bancária por 17 anos. Em 2001, perdeu o emprego e decidiu que era o momento de mudar de vida. Matriculou-se em diversos cursos e se especializou em uma área pela qual já sentia certa atração: a maquiagem. Entusiasmada com a nova profissão, formou-se também em um curso técnico de estética corporal e facial. Atualmente, aos 52 anos, é instrutora em uma das principais escolas profissionalizantes do país, o Senac.
A carioca Suellen Gonçalves veio morar em Curitiba no ano de 1977, depois de fazer carreira como funcionária pública no Rio de Janeiro. Com a mudança de cidade, ocorreu também uma reviravolta profissional e ela passou a atuar como cabeleireira e instrutora da escola. Aos 63 anos, Suellen, especialista em penteados, é uma das profissionais mais requisitadas pelas agências que organizam eventos na capital.
Neuri, Luiza e Suellen fazem parte de uma classe que vem ocupando cada vez mais espaço, à custa de muito esforço e dedicação. Numa época em que até festa de aniversário infantil exige requintes de cerimonial, esses profissionais são mais procurados do que nunca. Eu atuo em eventos há mais de 20 anos e posso dizer que, hoje, não há preconceito. As pessoas nos respeitam muito e valorizam o nosso trabalho, afirma Suellen Gonçalves, que tem no currículo a participação em eventos como o Miss Curitiba e é também professora em cursos de aperfeiçoamento para profissionais da área.
Para a ex-bancária Luiza Fiorenza, atuar nos bastidores de festas, desfiles de moda e eventos como o Ação Global projeto que oferece à comunidade serviços e cursos gratuitos em espaços públicas da cidade representa trabalhar, em média, de 12 a 16 horas por dia. Ela garante, porém, que a satisfação compensa a carga horária elevada. É gratificante observar que fizemos parte de um evento bem-sucedido e, nas aulas, é ótimo ver as pessoas readquirindo auto-estima, destaca. Outra vantagem, segundo ela, está no fato de que, como autônoma, tem liberdade para fazer os próprios horários.
A conquista do reconhecimento profissional também é ressaltada por Neuri Portela, que agora em setembro segue para o Rio de Janeiro, em mais uma viagem de trabalho com o balé, que se apresentará no Theatro Municipal. O nome Bolshoi assusta todo mundo (da equipe de iluminação). Mas, eu chego e acalmo o pessoal, explico a eles que temos de nos adaptar quando não há o equipamento específico e que tentaremos sempre fazer o melhor, diz ele.


