O Brasil que queremos
''Estamos dando um passo forte e articulado. Não será um ato isolado''.
Luiz Antonio Rossafa, presidente do Crea-PR
''Um projeto brasileiro não pode esquecer sua dimensão de projeto global. E a classe dos engenheiros, em todas suas ramificações, tem uma enorme contribuição a dar para a construção do Brasil''.
Osvaldo Della Giustina, professor
''A categoria dos engenheiros é, naturalmente, vocacionada para o desenvolvimento''.
César Benjamim, economista
''O Projeto Brasil deve partir deste princípio básico: a inclusão de todos, sem exceção. O País não pode crescer às custas da fome de grande parte da população''.
Paulo Bubach, presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
''Os nossos profissionais estão estimulados a discutir a responsabilidade de cada um nos destinos da nação''.
Wilson Lang, presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea)
O Brasil que queremos
Engenheiros, arquitetos e agrônomos discutem plano de desenvolvimento nacional através da elaboração do Projeto Brasil
José Eduardo Yokomizo
Responsáveis por 70% do PIB brasileiro, os engenheiros, arquitetos e agrônomos começam a elaborar um projeto que torne viável o desenvolvimento sustentável do País. Durante o 4º Congresso Nacional de Profissionais (CNP) e a 58 Semana Oficial da Engenharia, Arquitetura e Agronomia (SOEAA), realizados entre os dias 3 e 7 de novembro em Foz do Iguaçu, os profissionais discutiram as linhas gerais do que vem sendo chamado de Projeto Brasil. O objetivo é reunir propostas que abram possibilidades para a construção de um país melhor e mais justo. O Sistema Confea/Crea's deixa, assim, o campo das discussões estritamente internas e técnicas, para levar sua contribuição para toda a sociedade brasileira, cumprindo sua importante função social.
O Projeto Brasil vem sendo estudado há meses através de ações de todos os Crea's do País. Dos Conselhos Estaduais de Profissionais (CEP's) partiram vários temas, moções e propostas que devem dar origem à linha condutora deste grande plano de desenvolvimento nacional. Vários foram os temas apresentados e que devem ser analisados sob a visão da ética, responsabilidade e da valorização profissional. Alguns deles são: Ciência e Tecnologia, Biotecnologia, Globalização, Política Ambiental, Política Agrária, Política Econômica, Política Urbana, Recursos Naturais, entre outros.
O presidente do Crea-PR, Luiz Antonio Rossafa, disse que o encontro de profissionais em Foz do Iguaçu foi uma ótima oportunidade para discutir propostas, encaminhamentos e teses de 27 estados. ''Deste evento iremos extrair as linhas mestras e estruturais para a construção de um projeto duradouro. Precisamos pensar o País a longo prazo, e dar respostas à sociedade sobre as formas de exploração dos nossos recursos naturais com o compromisso do desenvolvimento sustentável.''
O Projeto Brasil começa a ser construído. A carta extraída do evento em Foz do Iguaçu será o início desta construção. ''Não será um ato isolado. Estamos dando um passo forte e articulado. Na integração das nossas profissões, estaremos elencando ações para que possamos pensar e repensar a construção do País'', disse Rossafa.
O professor Osvaldo Della Giustina, que acompanha este trabalho há aproximadamente 10 meses, disse estar impressionado com a evolução que o projeto alcançou neste período. ''Hoje, vemos os profissionais do Sistema Confea/Crea's despertando para uma participação social efetiva e não apenas corporativa. Os engenheiros, arquitetos e agrônomos, através do Projeto Brasil, passam a exercer sua verdadeira cidadania no processo de construção do País.''
Sobre o projeto, Giustina disse que é necessário contemplar os aspectos da soberania, da ocupação e utilização de nossos abundantes recursos naturais. Disse, também, que o Brasil, através deste projeto, pode servir como exemplo a centenas de países e bilhões de pessoas que, espalhadas pelo mundo, ''podem olhar para o nosso País como uma alternativa para a construção de um novo projeto mundial''.
O Projeto Brasil será fundamental, também, para que a sociedade entenda a importância da preservação de nossas reservas naturais. Relatórios da ONU mostram que hoje existem mais de 2 bilhões de seres humanos sem água. Ela será o bem mais valioso neste novo século, e alvo de grandes disputas entre as nações. Por isso, a importância em definir políticas para a preservação e uso sustentável da água. ''Um projeto brasileiro não pode esquecer sua dimensão de projeto global. E, nesse aspecto, a classe dos engenheiros, em todas suas ramificações, tem uma enorme contribuição a dar para a construção do Brasil'', destacou Giustina.





