O Brasil não valoriza nosso trabalho
O luthier Hilton Luis Castelli, de 39 anos, o Tom, conta nos dedos os profisisonais do ramo que atuam em Curitiba: cerca de 20, considerando desde intrumentos de sopro e cordas a acordeon e percussão. Foi em 1987, que ele iniciou a fabricação artesanal de guitarras e baixos sob encomenda. ''A marca Di Castelli's vai completar 20 anos. Quando eu comecei, ninguém fazia isso no Sul. Até hoje tenho clientes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, mesmo existindo muita gente já no ramo. Numa cidade do tamanho de Curitiba, não podemos pensar em clientes potenciais apenas aqui'', conta ele, cujo ateliê fica no bairro Vila Isabel.
Tom faz desde a regulagem, a reparos de pintura, elétrica e trocas de peças, além de fabricar instrumentos. Até agora são mais de 650 guitarras e baixos Di Castelli's. ''Esse é meu primeiro protótipo. Quando comecei, não tinha instrumentos de bom nível, no Brasil, só importados'', diz o artesão, que é autodidata. Ele defende que não importa se o luthier tem formação, o mais importante é a habilidade e o talento. ''Trabalho com o melhor material do mercado. Peças de metal e eletrônicas compro as japonesas e americanas. Quem compra um instrumento feito por luthier são profissionais'', pontua ele.
''Não posso comparar o Brasil com o mercado americano. O Brasil não valoriza nosso trabalho da mesma forma. Um amigo me disse que eu já seria milionário nos Estados Unidos'', disse ele, bem-humorado. ''Mas não posso reclamar do meu trabalho. O músico é um público exigente, tem ciúmes do instrumento o que nos leva a ser perfeccionistas, sempre'', revela ele, que pensa em abrir sua própria fábrica de guitarras. ''Tenho o projeto de produzir em série. É na lutheria que se aprofunda na profissão. Fazendo reparos se conhece um leque enorme de modelos de instrumentos''.





