Casas históricas, clima bucólico e descendentes de italianos por todos os lados. É o que se encontra no Umbará, um dos bairros mais antigos e calmos da capital paranaense. O nome não foi dado por ninguém: aconteceu. Foi o resultado de muita lama que se formava nos dias chuvosos, fazendo com que os imigrantes que ali chegaram reclamassem do ‘‘barᒒ que invadia as casas. O barro era ‘‘um bará só’’ e pronto, o local estava batizado.
  Foi nessa época que os avós do aposentado Joair Chiminacio, de 64 anos, chegaram da Itália. Com o passar dos anos, a família foi crescendo junto com o lugar, tendo como pano de fundo o trabalho nas olarias que até hoje são a marca do Umbará. ‘‘Por aqui todos se relacionavam com as olarias, direta ou indiretamente. O sustento vinha do barro’’, conta. É desse tempo que o também aposentado Ari Machado tem saudade. ‘‘Aqui era uma grande chácara, onde todos se conheciam e se ajudavam. Apesar de ainda tranqüilo, na minha infância era muito mais. Você podia dormir com a casa aberta e não acontecia nada’’, relembra.
  Um dos grandes pontos de referência do Umbará é a Igreja de São Pedro. A primeira sede foi construída em 1896, num grande esforço dos moradores locais. Depois, em 1936, uma nova matriz – mais moderna e maior – tomou o lugar da antiga. Se a igreja mudou de cara, as festas não: continuam famosas e alegres. Realizadas com freqüência na paróquia, elas atraem gente de toda a cidade e até de fora, formando uma grande confraternização. ‘‘São várias festas durante o ano’’, conta a microempresária Patrícia de Siqueira, que aprecia o silêncio do bairro. ‘‘É um lugar muito bom, não tem tanta poluição nem barulho’’, enumera. A comerciante Eliana Sartori só reclama da distância. ‘‘Para morar aqui precisa ter carro, já que se deslocar para qualquer lugar é longe, principalmente para o Centro’’, analisa.
  Situado quase na divisa com Fazenda Rio Grande, o Rio Iguaçu é o limite do Umbará, que segundo historiadores foi habitado por povos indígenas no início da Era Cristã. O que os atraía ao local era o barro, utilizado como matéria-prima para trabalhos em cerâmica. Também passaram pelo local os tropeiros, vindos de Guarapuava, Serra da Pitanga e outros pontos. O acesso era por uma estrada que passava próxima ao que hoje é a Rua Nicola Pellanda.
  Andando pelo bairro, marcas antigas da colonização ainda são encontradas, como um antigo poço no meio da rua e a arquitetura das casas, com imagens de santos pendurados nos altos das paredes. E para deixar mais clara ainda a força da imigração italiana no Umbará, os nomes das ruas trazem homenagens a Luigis, Nicolas, Bortolos.
  Mas nas casas já há exceções, mostrando que a colônia é bastante acolhedora. A prova está na história de Vera Lúcia Alves Leal, que já está ali há 20 anos. ‘‘Meu casamento foi aqui, meus filhos nasceram aqui, não trocaria de lugar. Aqui é perfeito’’, elogia. E a promessa ganha eco entre outros moradores. ‘‘Não saio daqui nunca, nem quando morrer. É só mudar para ali’’, brinca o aposentado Ari Machado, apontando o Cemitério do Umbará.

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