O bairro que veio do barro
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Equipe da Folha 
Casas históricas, clima bucólico e descendentes de italianos por todos os lados. É o que se encontra no Umbará, um dos bairros mais antigos e calmos da capital paranaense. O nome não foi dado por ninguém: aconteceu. Foi o resultado de muita lama que se formava nos dias chuvosos, fazendo com que os imigrantes que ali chegaram reclamassem do bará que invadia as casas. O barro era um bará só e pronto, o local estava batizado.
Foi nessa época que os avós do aposentado Joair Chiminacio, de 64 anos, chegaram da Itália. Com o passar dos anos, a família foi crescendo junto com o lugar, tendo como pano de fundo o trabalho nas olarias que até hoje são a marca do Umbará. Por aqui todos se relacionavam com as olarias, direta ou indiretamente. O sustento vinha do barro, conta. É desse tempo que o também aposentado Ari Machado tem saudade. Aqui era uma grande chácara, onde todos se conheciam e se ajudavam. Apesar de ainda tranqüilo, na minha infância era muito mais. Você podia dormir com a casa aberta e não acontecia nada, relembra.
Um dos grandes pontos de referência do Umbará é a Igreja de São Pedro. A primeira sede foi construída em 1896, num grande esforço dos moradores locais. Depois, em 1936, uma nova matriz mais moderna e maior tomou o lugar da antiga. Se a igreja mudou de cara, as festas não: continuam famosas e alegres. Realizadas com freqüência na paróquia, elas atraem gente de toda a cidade e até de fora, formando uma grande confraternização. São várias festas durante o ano, conta a microempresária Patrícia de Siqueira, que aprecia o silêncio do bairro. É um lugar muito bom, não tem tanta poluição nem barulho, enumera. A comerciante Eliana Sartori só reclama da distância. Para morar aqui precisa ter carro, já que se deslocar para qualquer lugar é longe, principalmente para o Centro, analisa.
Situado quase na divisa com Fazenda Rio Grande, o Rio Iguaçu é o limite do Umbará, que segundo historiadores foi habitado por povos indígenas no início da Era Cristã. O que os atraía ao local era o barro, utilizado como matéria-prima para trabalhos em cerâmica. Também passaram pelo local os tropeiros, vindos de Guarapuava, Serra da Pitanga e outros pontos. O acesso era por uma estrada que passava próxima ao que hoje é a Rua Nicola Pellanda.
Andando pelo bairro, marcas antigas da colonização ainda são encontradas, como um antigo poço no meio da rua e a arquitetura das casas, com imagens de santos pendurados nos altos das paredes. E para deixar mais clara ainda a força da imigração italiana no Umbará, os nomes das ruas trazem homenagens a Luigis, Nicolas, Bortolos.
Mas nas casas já há exceções, mostrando que a colônia é bastante acolhedora. A prova está na história de Vera Lúcia Alves Leal, que já está ali há 20 anos. Meu casamento foi aqui, meus filhos nasceram aqui, não trocaria de lugar. Aqui é perfeito, elogia. E a promessa ganha eco entre outros moradores. Não saio daqui nunca, nem quando morrer. É só mudar para ali, brinca o aposentado Ari Machado, apontando o Cemitério do Umbará.


