Moradora do Alto da Glória desde o início do ano, Paloma Bassi está gostando do local. ''É perto do Centro. Não é perigoso, nunca vi nada suspeito'', avalia. Mas mais do que um bairro residencial agradável, que ainda conserva casarões antigos como o Palacete dos Leões, edificação de 1902, o Alto da Glória é um ponto de convergência de moradores de bairros vizinhos, distantes e até de outras cidades que se dirigem até o local por motivos de saúde, fé ou paixão pelo futebol.
O bairro abriga o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), maior prestador de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, o Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que todas as quartas-feiras recebe até 30 mil pessoas em suas novenas, e o Estádio Major Antonio Couto Pereira, com capacidade para 37.140 torcedores.
Torcedor do Coritiba, Allan Heckert não vai ao Alto da Glória só em dia de jogo. Ele também frequenta a novena do Santuário todas as quartas e diz que se pudesse moraria no bairro. ''Esses dias eu comentei com o meu pai que se tivesse condições eu comprava uma casa aqui. Tenho uma tia que mora aqui e sempre estou na casa dela. É um bairro muito bom de morar, gosto muito daqui'', justifica Heckert, que diz ter vivido no Alto da Glória ''muita alegria e algumas tristezas'' por causa do time do coração.
Mas se o Coritiba não dá somente alegrias aos seus torcedores, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não tem decepcionado, segundo os fiéis. Rute de Oliveira, que frequenta a novena há quase 30 anos, acredita que a grande movimentação do bairro na quarta-feira deve-se às graças recebidas pelos devotos. ''Já recebemos muitas, então é bom comparecer sempre e nunca perder a fé. Em cada noveninha você vê a multidão que tem'', observa Rute.
As novenas têm início às 6 horas e seguem, de hora em hora, até as 22 horas. Sempre com duração de 35 minutos cada uma e início nas horas cheias (6 horas, 7 horas e assim por diante), com exceção da novena das 18h10. De acordo com a assessoria de imprensa do Santuário, a cada novena participam em média 2 mil pessoas.
As cerimônias começaram a ser realizadas em 1960 pelos missionários da Congregação do Santíssimo Redentor (a mesma do Santuário Nacional de Aparecida, no Estado de São Paulo). Na época, as cerimônias eram feitas na Capela Nossa Senhora da Glória, em frente ao Palacete dos Leões (na Avenida João Gualberto), ambos construídos pela família Leão, a primeira a habitar o bairro na segunda metade do século XIX.
O Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi inaugurado em 1969. O projeto arquitetônico de Kozo Kasai permite, como queriam os missionários redentoristas, que o altar seja visto de qualquer parte, efeito alcançado por causa da inclinação do chão da igreja e a ausência de colunas de sustentação no interior do Santuário.
Já o Estádio Major Antonio Couto Pereira teve como base o estádio Belfort Duarte, inaugurado em 1932, em alvenaria e madeira, com o campo protegido por uma cerca de arame. As obras da primeira etapa da edificação atual começaram em janeiro de 1958 e terminaram no dia 12 de outubro do mesmo ano. Depois disso, o estádio teve o projeto modificado e as obras seguiram até o final da década de 60, com reformas nos anos 80 e 90.
O Hospital de Clínicas foi inaugurado em 1961 com 366 leitos. Hoje é procurado por milhares de pessoas diariamente por conta dos serviços de alta complexidade e excelência. É um órgão suplementar da UFPR e um dos 45 hospitais universitários federais de ensino do País. Segundo a assessoria de imprensa do HC, ele é o maior do Estado e um dos seis maiores hospitais gerais universitários do Brasil.

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