O bairro das imbuias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de setembro de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Desde que nasceu, a aposentada Adenira Cortes vive no bairro Capão da Imbuia. Nestes 75 anos ela acompanhou o progresso da região e diz estar satisfeita em morar lá. No início era quase tudo mato, com poucas casas. O único ponto de ônibus que existia ficava próximo ao Hospital Cajuru, distante dois quilômetros da sua casa. A única opção era andar até o local. Hoje, com tubos de biarticulados e pontos de alimentadores, Adenira nem pensa em se mudar do bairro, já que na rua onde mora não existe perigo de assaltos. Nunca me roubaram nem um pano de prato.
O Capão da Imbuia se parece com o Centro de uma cidade do interior. As casas residenciais dividem espaço com a grande quantidade de estabelecimentos. Com a tranqüilidade do bairro os idosos viram ali uma oportunidade de sossego e descanso. É o caso de Camilo Vieira da Rosa, 81, que visita diariamente o Bosque Capão da Imbuia. Há 30 anos ele vive na região e acredita que o bairro melhorou muito. Não tenho do que me queixar. Agora tem aparecido uns problemas, mas isso tem na cidade toda.
O Bosque Capão da Imbuia possui 39 mil metros quadrados com muitas árvores como pinheiros centenários, canelas e imbuias. No local ainda funciona o Museu de História Natural, onde são realizadas pesquisas sobre o meio ambiente. A prefeitura e a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza são as responsáveis pelos estudos.
Na trilha de 400 metros de comprimento por dentro do bosque natural existem 12 vitrines e painéis que mostram a relação entre a fauna e a flora em uma floresta de araucárias. Não é difícil se defrontar com dóceis cutias durante o trajeto. Os sortudos podem encontrar espécies de lagartos. Nos finais de semana, aproximadamente 500 pessoas visitam o bosque. Mas isso depende do tempo. Nos dias de chuva e vento a passarela fica fechada já que as araucárias são antigas e pode haver risco de cair.
No museu, animais empalhados colocados em cenários que imitam o habitat natural aguçam a imaginação dos visitantes. São ursos, tamanduás, cobras, lagartos, tucanos, papagaios e também animais presentes na cidade como pombos, ratos e aves. Mas não se assuste com o forte cheiro de naftalina dentro do museu. Ele é necessário para a preservação dos ambientes. Também é possível se divertir com uma calçada da fama apenas com pegadas de bichos.


