O arenito, quem diria, virou área para a soja
Leonardo Revesso
De Umuarama
Especial para a Folha
A introdução da cultura da soja no Noroeste do Estado trouxe ânimo novo aos proprietários de terras da região. Já são cerca de 50 mil hectares plantados em mais de 20 municípios da região de Umuarama. Este ano, a produção alcançou 2 milhões de sacas, injetando cerca de R$ 12 milhões na economia da região. O que parecia ser impossível (produzir soja em solo arenoso) tornou-se uma rentável parceria entre fazendeiros com pastagens degradadas e de baixo rendimento e produtores experientes, escolados nas regiões com excelente desempenho em grãos no Estado. A produtividade alcançada supera as expectativas, criando alternativas e elevando os ganhos de quem até pouco tempo estava acostumado a pagar muito caro para produzir.
No Oeste e Sudoeste do Estado, um alqueire de terras para o plantio de soja não é comprado por menos de R$ 12 mil. No Noroeste (polarizado por Umuarama), os preços variam de R$ 3 mil a R$ 4 mil (pastagens). Quem já descobriu que dá soja no Noroeste pode ter encontrado uma mina de dinheiro. Agricultores consagrados na atividade trabalham como se estivessem desbravando um novo oásis de investimentos, com a vantagem da larga experiência. Na região de Umuarama, os produtores de soja têm o nome de arrendatários.
O engenheiro agrônomo Marcos Roberto Marcon está há um ano em Umuarama. Veio para assessorar agricultores e acabou conciliando o trabalho com o arrendamento de terras para o plantio de soja, na fazenda Haiti. Este ano, plantou 160 hectares com a oleaginosa e conseguiu 40 sacas por hectare, a média estadual. O resultado, segundo Marcon, foi fantástico. Antes de conhecer Umuarama, já produzia soja em Cascavel, no oeste do Estado. A soja vai ser a redenção econômica do arenito, diz Marcon. De acordo com ele, além de garantir retorno ao produtor, a cultura ajuda na recuperação da fertilidade do solo e gera empregos no campo.
Agroindústria - Marcon acredita que a soja vai ajudar Umuarama a alavancar novos projetos agroindustriais. Há muito campo para ser explorado, diz. Satisfeito com a produtividade alcançada, o agricultor pretende elevar a área de plantio na próxima safra. O mesmo deve fazer a grande maioria dos demais arrendatários, que aos poucos vão enraizando a tecnologia do conhecimento na região. Aqui temos a vantagem de produzir dentro da média estadual com um preço de terra bem menor que nos centros tradicionais, avalia Marcon.
Outro sojicultor respeitado, Carlos Alberto Abud não pensou duas vezes quando recebeu a proposta de produzir no Noroeste do Estado. Há dois meses arrendou 500 hectares da fazenda Barra Dourada. Veio atraído pelo sucesso da soja na região. Abud é considerado autoridade no plantio direto.





