Nunca foi gerado tanto emprego formal em Londrina. 2008 vai ficar na história da cidade como o ano em que mais foram abertas vagas de trabalho. Até outubro deste ano (último dado divulgado) foi registrado um crescimento de mais de 70% na geração de novas vagas na comparação com 2006. Além disso, até o final do ano deverão ser abertas 3,8 mil novas empresas (sem contar os profissionais liberais), o maior número desde o início da década (veja quadro). Os números comprovam o dinamismo da economia local que, segundo analistas, acompanham o crescimento econômico do País.
  De acordo com a Agência do Trabalhador, são dois os destaques da geração de empregos: indústria e construção civil. O maior gerador de empregos é o setor de serviços, principal vocação econômica da cidade. No entanto, foi verificado que neste ano as indústrias aumentaram a oferta de vagas, assim como a construção civil. Diariamente a Agência oferece entre 100 e 150 novas vagas mas somente 60% deste total são preenchidas. O principal entrave ainda é o mesmo: a falta de qualificação dos profissionais. Muitas das pessoas que buscam um emprego sequer tem o 1º grau completo, enquanto a maioria das vagas exigem o Ensino Médio completo.
  ‘‘O mercado está mais exigente e a característica da cidade mostra que é mais difícil arrumar um emprego para pessoas com pouca qualificação e com muita qualificação’’, afirma Roberto Gonçalves, gerente da Agência do Trabalhador. Desta forma, são mais favorecidos profissionais com ‘‘média qualificação’’ (com 1º grau). ‘‘Mas isto é normal em qualquer cidade porque uma loja, por exemplo, quando vai abrir contrata um gerente, que tem mais qualificação, e dezenas de vendedores e caixas, com média qualificação’’, avalia Gonçalves.
  A economista Mária de Fátima Campos, professora doutora da Universidade Estadual de Londrina, acrescenta que as ocupações que mais admitiram nos primeiros dez meses do ano foram as que oferecem baixos rendimentos, ligadas aos setores da construção civil (pedreiros e serventes de obras), com 1.113 novos empregos formais, e trabalhadores ligados à cultura do milho e sorgo (840 vagas). ‘‘Ao que parece isto está relacionado ao cenário favorável dos preços dos alimentos no primeiro semestre do ano com repercussão no setor da construção civil’’, avalia.
  Ela ainda ressalta o efeito positivo dos programas do governo federal lançados neste ano direcionados à construção civil, como os financiamentos imobiliários com taxas de juros mais baixas e prazos maiores de pagamento, na comparação com os praticados no ano passado e início de 2008. ‘‘Também deve-se levar em conta que o dinamismo que o setor da construção civil vivenciou, em parte, é fruto da estratégia de marketing das construtoras, que estão com programas de autofinanciamento, com condições e prazos diferenciados, mais atrativos que as linhas convencionais, para consumidores que podem pagar mensalmente uma parcela do imóvel durante a implantação do empreendimento’’, avalia.
  Uma outra análise da economista demonstra que as 20 ocupações que mais admitiram nos primeiros dez meses deste ano geraram um saldo positivo de 5.556 vagas com um salário médio de admissão de R$ 520,49. O setor de confecções, por exemplo, gerou 335 novas vagas no mesmo período, a um salário médio de admissão de R$ 475,75. ‘‘No entanto, pode-se observar uma rotatividade alta da mão-de-obra nesses segmentos, uma vez que os setores que mais admitem, no geral, também são os maiores responsáveis por desligamentos’’, avalia.

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