Pelas ruas sempre movimentadas do Bairro da Liberdade respira-se cultura oriental. Para quase todos os letreiros em português há um correspondente em ideograma. Até a grafitagem nos muros tem traços japoneses ou chineses. Quase tudo é comércio e por trás dos balcões gente que construiu uma história de vida por ali.
É o caso de Sussumu Mukotaka, 70 anos, que se define como ''imbatível na arte de amolar alicates de cutícula''. Ele se instalou no bairro em 1963, nos fundos de uma modesta galeria, onde está até hoje. Fez freguesia, prosperou e expandiu os negócios. Atualmente, além de amolador também é professor de sua arte. Cobra R$ 800 por dois dias de curso e vende DVDs que ensinam a amolar por R$ 300.
Os aprendizes de Mukotaka vêm de longe. ''Tem até dos Estados Unidos'', orgulha-se. É o caso de Sueli Bomfim, 47. Brasileira que mora na Suiça, ela quer aprender a arte ensinada na Liberdade para fazer dinheiro na Europa. ''As manicures de lá mandam amolar seus alicates no Brasil. Tenho uma fila de freguesas me esperando.''
Outra arte dominada pelo amolador é a de deixar as espadas de samurai no ponto perfeito de corte. Ele cobra R$ 100 por espada, mas não gosta muito de executar o serviço. ''É muito perigoso. A espada fica afiada demais'', explica. (W.S.)

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