A supremacia do presente sobre o passado e o futuro nunca foi tão grande como agora. Um domínio que se estende à área cultural. Para uma cidade jovem, como Londrina, não chega a ser uma contradição. De perto ou de longe, no caso dos que migraram para eixos culturais mais tradicionais - Rio de Janeiro e São Paulo -, muitos artistas pioneiros ou de vanguarda ainda fazem e influenciam a nossa cultura. Daqui em diante, o desafio é apontar o novo na arte londrinense.
Os diretores e dramaturgos de Londrina, Paulo de Moraes e Mário Bortolotto são nomes para lembrar a influência londrinense no que se faz no eixo Rio-São Paulo. Mas artistas que permanecem ou que começam a carreira na cidade também projetam o futuro da produção cultural, como os grupos teatrais Núcleo Ás de Paus e Garagem.
Produtores e artistas entrevistados pela FOLHA aceitaram a provocação de projetar o futuro das artes londrinense. Com o presente em mãos, tentam olhar um tantinho mais adiante.
Para o professor de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mauro Rodrigues, o amanhã depende de mais projetos coletivos, já que os institucionalizados têm espaço garantido entre espectadores e de recursos. Rodrigues ainda é diretor da Companhia Imago Teatro de Animação, que também representa a arte teatral do presente, a exemplo do Casa Das Fases. Ele observa que Londrina ainda é um centro aglutinador, porém não oferece mercado. ''Na década de 1980, Londrina tinha 60 grupos registrados em cartório. Com a abertura política, o surgimento das leis de incentivo, os festivais, o mercado não absorveu o que essas leis incentivavam. O fato de não ter mercado não impede grupos de realizarem trabalhos independentes dessa política pública'', analisa Rodrigues.
Olhar para o que se produz na cidade é prover um pouco o amanhã. ''Para o futuro, é preciso um esquema de produção profissionalizado. As relações de trabalho mudaram e a maneira de produzir também. Hoje é outra relação com o produto cultural. Porém, os nossos teatros públicos não têm estrutura. O artista não conta com um painel de divulgação do trabalho, não existe uma relação com o espectador'', avalia Rodrigues.
O cineasta e professor do curso de Artes Visuais e Multimídia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Anderson Craveiro, filmou o curta-metragem ''Rubras Mariposas'', que deve estrear em 2012, e vê que para o amanhã exigirá produtores culturais empreendedores. ''O trabalho autoral precisa ter administração empreendedora. A internet, as redes sociais são maravilhosas para contatos, mas os artistas da cidade precisam criar uma política, uma mobilização para outros incentivos que não seja o Promic (Programa de Incentivo à Cultura). Realizar eventos que possam atrair verbas de empresários e desmistificar confusões, como pensarem que ao incentivar um projeto podem cair na malha fina'', avalia.

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